Portugal está melhor? Rio diz que “não”, Vítor Neves vê avanços
Portugal mudou nos últimos dez anos.
A dívida pública diminuiu, as contas públicas melhoraram, a dependência energética recuou e o país reforçou a sua posição como destino seguro para investimento.
Mas a evolução dos indicadores macroeconómicos não resolveu alguns dos problemas estruturais que continuam a limitar o crescimento.
Foi este o ponto de partida da análise apresentada pela EY-Parthenon na conferência dos 10 anos do Jornal Económico.
Miguel Cardoso Pinto, EY-Parthenon Portugal Leader, considerou que Portugal conseguiu superar o “teste da resiliência” da última década, mas entra agora num novo ciclo em que terá de vencer o “teste da produtividade e da competitividade”.
A próxima década deverá passar, segundo Cardoso Pinto, pela capacidade de atrair investimento para atividades com maior intensidade tecnológica e de conhecimento.
Inteligência artificial, cloud e data centres, energias renováveis e infraestruturas energéticas, reindustrialização sustentável, indústria transformadora avançada, ciências da vida, farmacêutica e biotecnologia, tecnologias de Defesa e serviços empresariais globais estão entre os setores.
O objetivo é aumentar o valor produzido pela economia portuguesa e reduzir a distância face aos concorrentes.
Mas existem obstáculos.
A EY-Parthenon identifica a disponibilidade de capital, a produtividade, a burocracia e o custo da energia como alguns dos principais estrangulamentos.
O fim do Plano de Recuperação e Resiliência deverá colocar maior pressão sobre o investimento público e privado.
E, apesar da abundância de fontes renováveis, Portugal continua a enfrentar dificuldades em transformar essa vantagem num custo energético competitivo para algumas empresas, sobretudo as indústrias eletrointensivas.
É neste contexto que surge a pergunta: Portugal está melhor do que estava em 2016? Para Rui Rio, a resposta é negativa.
“O país está pior”, afirmou o antigo líder do PSD e ex-presidente da Câmara Municipal do Porto.
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