Governo prepara novo modelo para levar médicos de família ao interior
O Governo está a preparar um novo modelo para atrair e fixar médicos de família no interior e noutras zonas do país com falta de profissionais.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconheceu que a resposta não pode passar apenas por abrir vagas ou aumentar os incentivos financeiros.
A governante já admitiu que a dificuldade em preencher vagas de Medicina Geral e Familiar tem razões que vão além do salário.
Em janeiro, depois de um concurso ter deixado cerca de 60% das vagas por ocupar, Ana Paula Martins afirmou que “não é apenas o aspeto financeiro” que explica a falta de adesão, apontando também para a flexibilidade e as dificuldades relacionadas com a habitação.
A questão da fixação dos médicos é particularmente relevante fora dos grandes centros urbanos.
Em junho, a ministra explicou que “as pessoas concorrem para onde também têm o seu projeto de vida e querem ter o seu projeto de vida”, numa referência às dificuldades em atrair profissionais para determinadas regiões.
É nesse contexto que o Governo pretende rever a forma como são apresentadas e preenchidas as vagas em zonas mais carenciadas.
Em maio foram abertas 332 vagas médicas com incentivos acrescidos, das quais 109 para Medicina Geral e Familiar, 210 para especialidades hospitalares e 13 para Saúde Pública.
A estratégia deverá procurar combinar os incentivos financeiros com outras condições capazes de tornar estas colocações mais atrativas.
O programa do Governo já prevê medidas específicas para médicos que aceitem trabalhar em territórios de baixa densidade ou zonas consideradas carenciadas.
A Ordem dos Médicos tem defendido precisamente uma abordagem mais abrangente.
Entre as propostas apresentadas estão benefícios fiscais, apoio à habitação, prémios de instalação, maior autonomia das unidades de saúde e medidas que facilitem a vida familiar dos profissionais que se mudem para o interior.
A dificuldade em preencher as vagas não é nova.
Em novembro de 2024, Ana Paula Martins já tinha anunciado que os concursos seguintes para médicos de família teriam “outro tipo de incentivos”, depois de apenas 28% das vagas terem sido ocupadas num concurso.
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