Lula faz comício em reduto bolsonarista, mas falta material de campanha
O presidente brasileiro, Lula da Silva, fez hoje um comício de campanha num reduto bolsonarista, a 30 quilómetros do Palácio do Planalto, mas apoiantes estranharam a falta de material de campanha e eleitores a falta de apelo ao voto.
O ato em Ceilândia, cidade pobre do Distrito Federal formada, na sua maioria, por pessoas com raízes no Nordeste, acolheu o primeiro comício de rua de Lula para a segunda volta das presidenciais, agendadas para 25 de outubro, depois de ter ficado em segundo lugar na votação do passado domingo.
O candidato do PT passou a semana em Brasília a recalcular a estratégia da campanha, após a frustração da primeira volta, em que ficou atrás do adversário Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), por uma diferença de 2,2 milhões de votos.
A campanha de Lula mobilizou apoiantes para procurar o voto dos 33 milhões de pessoas, cerca de 20% do eleitorado, que não foram às urnas no domingo.
"Eu pensei que tivesse alguma coisa, mas o pessoal só distribuiu adesivo [com desenho de Lula], mas só isso", descreveu Márcia Caldeira, de 59 anos, que estava com um boné do candidato do PT.
A eleitora estranhou a falta de distribuição de panfletos com as ideias de Lula ou de pedidos de voto por parte dos apoiantes.
"Eu não parei para pedir voto e também não vi ninguém fazendo isso", explicou, dizendo que a figura do Presidente brasileiro é tão magnética, que ela, como muitos outros, estava mais preocupada em chegar perto do automóvel em que ele desfilou a céu aberto.
Durante o comício, Lula defendeu algumas das bandeiras da sua campanha, como a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, atualmente discutida no Senado Federal.
A proposta é criticada pelo PL e por outros partidos da direita.
"Não dá para ouvir nada", reclamou um eleitor mais distante sobre a qualidade do som do camião, enquanto uma mulher de meia-idade contemporizou: "Meu amor, só de você estar aqui já é importante".
Lula subiu numa carrinha de caixa aberta ao lado do candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, que disputa a segunda volta com a atual governadora, Celina Leão, apoiada por Flávio Bolsonaro.
A Lusa percorreu cerca de dois quilómetros, trajeto do comício de Lula, conversando com lojistas, vendedores informais, trabalhadores e pessoas em paragens de autocarro, muitas delas não eleitoras do petista ou mesmo indecisas.
Todas apontaram não terem sido abordadas por militantes de esquerda para pedir votos ou distribuir material de campanha.
Ao mesmo tempo, o camião de som tocava 'jingles' de campanha, como a canção gospel "Era só mais um Silva", ou músicas rápidas a reiterar o 13, número do candidato do Partido dos Trabalhadores.
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