Díaz-Canel diz que diálogo com EUA está parado e nega que Cuba vá "colapsar"
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reconheceu que o diálogo com os Estados Unidos "está estagnado", sem "uma agenda definida" apesar da "vontade de dialogar", mas negou que o regime esteja "à beira do colapso".
Estima-se que a economia cubana tenha sofrido uma quebra de mais de 15% entre 2020 e 2025. A pressão norte-americana, com o bloqueio petrolífero iniciado em janeiro passado, e as sanções secundárias desde maio a setores-chave da economia, agravaram a precariedade.
Além dos sucessivos `apagões`, os cubanos sofrem com a quase total paralisação do transporte público, com os hospitais a oferecerem serviços mínimos e os preços dispararem, especialmente dos alimentos e medicamentos nos mercados informais.
"Estamos numa situação complexa, mas marcada por uma enorme criatividade e pela histórica resistência do povo cubano", afirmou o Díaz-Canel.
Para o Presidente cubano, o governo norte-americano liderado por Donald Trump age com "perversidade" numa "tentativa de submeter a nação".
Questionado sobre o pacote das 176 reformas que procuram liberalizar e descentralizar a economia, aprovado de urgência em junho, Díaz-Canel insistiu que não são "reformas capitalistas" e que não haverá "restauração capitalista" na ilha.
"Estamos num processo de construção socialista", sublinhou o líder comunista, reconhecendo que as reformas foram resultado de um debate que se desenvolve "há mais de dez anos".
Segundo especialistas, as reformas reforçam o papel do setor privado como um fator-chave para enfrentar a crise, embora o Governo ainda não o tenha reconhecido oficialmente dessa forma.
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