Rede europeia pede mais financiamento para democracia na véspera do Estado da União
A Parceria Europeia para a Democracia, rede que integra a Universidade Católica Portuguesa e outras 20 organizações europeias, pediu hoje um reforço do financiamento para democracia na UE, classificando-o como um “investimento estratégico na estabilidade”.
No comunicado divulgado um dia antes de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, proferir o segundo discurso sobre o Estado da União do novo mandato, a Parceria Europeia para a Democracia (EPD, na sigla inglesa) apela aos líderes da UE “para que coloquem o financiamento da democracia no centro do próximo Quadro Financeiro Plurianual”, que suportará as prioridades agora escolhidas.
Esta rede que inclui a Universidade Católica Portuguesa argumenta que “o apoio à democracia corre o risco de ser uma das vítimas deste processo, apesar de nunca ter estado tão claramente ligado à própria segurança da Europa”, ao ser colocando em segundo lugar face a prioridades como defesa, segurança e gestão migratória.
“Esta é uma escolha errada.
As campanhas de desinformação, a ingerência estrangeira nas eleições, os ataques aos meios de comunicação social pluralistas e a erosão do espaço cívico não são questões separadas da agenda de segurança europeia, estão na sua linha da frente”, alerta.
De acordo com a EPD, são as instituições democráticas que “permitem às sociedades resolver conflitos, responsabilizar os líderes e resistir à captura autoritária sem recorrer à violência ou entrar em colapso”.
“Quando essas instituições são enfraquecidas – ou esvaziadas por dentro – abre-se espaço precisamente para a instabilidade e a influência hostil que os orçamentos de defesa procuram combater.
Uma estratégia de segurança que financia a defesa e a gestão das fronteiras, enquanto reduz silenciosamente o financiamento das instituições que previnem conflitos e deslocações na sua origem, não é uma estratégia coerente, é uma estratégia dispendiosa”, lamenta.
O apelo surge num momento em que estão em curso as negociações sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP), o orçamento da UE para 2028 a 2034.
Na quarta-feira, Ursula von der Leyen deverá, no discurso sobre o Estado da União, elencar quais as prioridades a financiar.
Através de uma nova iniciativa “Quando é que nos esquecemos?”, a rede questiona se será possível reforçar a segurança europeia enquanto se reduz o apoio às instituições democráticas.
“Apoiar a democracia não é um luxo, é um investimento estratégico na estabilidade, na segurança e no desenvolvimento humano.
Se a Europa não a defender, quem o fará?”, questiona a presidente da rede EPD, Anu Juvonen, citada no comunicado.
A EPD pede, por isso, que a democracia, o Estado de direito e o espaço cívico sejam considerados parte da arquitetura de segurança e resiliência da UE.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.