"A defesa da Ucrânia está ligada à defesa da própria Europa"
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Este é o Gabinete Guerra das manhãs 360, esta segunda-feira com o Miguel Baumgartner, especialista em Relações Internacionais. Olá Miguel, bom dia, bem-vindo.
Olá, Miguel. Começamos pela Ucrânia, que assinala hoje 35 anos de independência. A coligação da boa vontade composta por mais de 30 aliados de Kiev reuniu-se hoje na capital pra assinalar a data. Miguel, mais um aniversário comemorado em plena guerra com a Rússia. Ontem ficamos a saber que a Noruega vai dar perto de oito milhões de euros e que a Dinamarca vai contribuir na criação de um novo sistema de mísseis. Isto marca uma viragem em que a Europa deixa de apenas enviar material em estoque e passa a investir diretamente na capacidade industrial de defesa dentro da própria Ucrânia, Miguel.
Muito bom dia, bom dia também a quem nos ouve. A Europa tinha que tomar uma decisão e tem que tomar uma decisão porque a Europa está a ver duas coisas que são importantes. Primeiro, está a ver que os Estados Unidos se afastam de uma lógica de participação de apoio militar direto em relação à questão da Ucrânia. Portanto, a Europa tem que por si começar a fazer esse investimento, ajudando efetivamente a Ucrânia a ter condições de se defender. Quando nós vimos agora aquilo que tem sido a ofensiva de verão, que eu sempre defendi que iria acontecer, não tinha que ser só com tropas no terreno, mas principalmente com ataques em profundidade, tentando criar o desgaste normal nestes conflitos. E a Europa, que já tinha vindo através da Alemanha a dizer que o melhor seria não a produção autónoma, mas a produção conjunta com a Ucrânia, produzindo na Ucrânia pra que a Ucrânia possa produzir e utilizar. E isso tem acontecido, por exemplo, até na questão dos drones, onde algumas empresas portuguesas também têm participado, em que efetivamente a Ucrânia deu cartas. Federov, enquanto ministro da Defesa, deu cartas nesse sentido e conseguiu, através dessa tecnologia, criar mecanismos de defesa, mas principalmente mecanismos de ataque. Agora, comemoram-se 35 anos daquilo que foi um processo de independência que, efetivamente, de alguma forma, hoje a Ucrânia também olha pra trás com algum arrependimento. Começou em 92 com os Acordos de Lisboa e depois com o famoso Memorando de Budapeste de 94, em que a Ucrânia entrega as suas armas nucleares com o entendimento, no famoso, como eu disse, Memorando de Budapeste em 94, onde os Estados Unidos, o Reino Unido e a Rússia garantiam a independência, mas a própria segurança da Ucrânia. E este erro do passado, efetivamente, a Ucrânia não quer mais cometer. Por isso é que Zelensky não acredita numa aceitação de discussão de linhas vermelhas por parte da própria Rússia naquilo que poderá ser um dia o acordo de paz. Ou seja, sabe efetivamente que se não derrotar de alguma forma, seja militarmente, seja politicamente a Rússia, ou pelo menos a intenção de Vladimir Putin de ganhar esta guerra, não terá sossego.
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