“Temos de olhar para os pesados de mercadorias se queremos acelerar a eletrificação”, defende Joana Alves Abreu
Joana Alves Abreu, Counsel da Pérez-Llorca, participou no painel “Que energia vai mover os transportes?” e destacou os principais desafios que Portugal enfrenta na eletrificação dos transportes, nomeadamente no que diz respeito aos veículos pesados de mercadorias, à infraestrutura de carregamento e ao cumprimento das metas definidas no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) 2030.
A especialista começou por sublinhar a necessidade de distinguir a realidade dos veículos elétricos ligeiros da dos veículos pesados.
Embora reconheça uma evolução positiva no segmento dos ligeiros, considera que o mesmo não acontece nos pesados de mercadorias.
Neste segmento, não existem pacotes de apoio à aquisição tão favoráveis como os disponíveis para os veículos ligeiros, onde há também mais incentivos fiscais.
A par dos apoios à aquisição, Joana Alves Abreu identifica outros desafios relacionados com a infraestrutura necessária à eletrificação dos pesados, nomeadamente a necessidade de carregamentos ultrarrápidos, de potência contratada adequada e de maior celeridade nos processos de licenciamento e execução.
“Temos de começar a olhar para os pesados se queremos acelerar esta eletrificação.
Para isso tem de haver apoio direto à aquisição e na infraestrutura de carregamento”.
Nos veículos elétricos ligeiros, o contexto é, segundo a especialista, mais favorável, tanto ao nível do preço como das condições de carregamento.
Já no transporte pesado de mercadorias, persistem constrangimentos que dificultam uma transição mais rápida para a mobilidade elétrica.
Questionada sobre o cumprimento das metas previstas no PNEC 2030, nomeadamente o objetivo de redução de 40% das emissões de gases com efeito de estufa no setor dos transportes face a 2005, Joana Alves Abreu considera que o objetivo dificilmente será alcançado dentro do prazo previsto.
“No setor dos transportes não devemos conseguir cumprir.
Ter a ambição de chegar aos 40% em quatro anos acho que não é realista”.
Na área da produção de energia renovável, a Counsel da Pérez-Llorca reconhece os esforços que têm sido feitos pelo Governo ao nível dos licenciamentos, mas considera que continuam a existir dificuldades para garantir o cumprimento das metas estabelecidas.
A especialista destacou ainda a importância da definição do mapa verde e de outras medidas de apoio à transição energética, mas sublinhou que estas iniciativas terão de ser acompanhadas por uma Administração Pública dotada de mais recursos e por processos administrativos mais ágeis.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.