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Aquecimento global aumenta riscos de tragédias naturais como a enxurrada no Nepal

CNN Portugal ·
Aquecimento global aumenta riscos de tragédias naturais como a enxurrada no Nepal

O aquecimento global intensifica o risco de catástrofes naturais, como a inundação que causou mais de 390 mortos na fronteira do Nepal com o Tibete e que terá tido origem no colapso de um glaciar.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) e a China apontaram o colapso de um glaciar como causa da imensa inundação que, na véspera, atingiu uma zona fronteiriça entre o norte do Nepal e o Tibete (sudoeste da China), com um balanço de mais de 390 mortos e cerca de 1.400 desaparecidos, segundo dados comunicados por ambas as partes.

"Trata-se de um desmoronamento de glaciar e de um fluxo de detritos", afirmou esta quinta-feira o USGS, que inicialmente associou a origem da tragédia a um terramoto de magnitude 4,4 no Nepal e, posteriormente, a um deslizamento de terra.

Por seu lado, especialistas do Ministério dos Recursos Naturais da China determinaram, através de imagens de satélite, que o desastre teve origem no desprendimento de uma massa de gelo numa zona glaciar do Nepal situada entre os 5.200 e os 5.500 metros de altitude.

Segundo Pequim, a massa arrastou materiais glaciares e desceu a grande velocidade, transformando-se num fluxo de detritos e, posteriormente, num deslizamento de lama que atingiu o posto fronteiriço de Gyirong, após percorrer cerca de 20 quilómetros em apenas sete minutos.

Neste sentido, a avaliação preliminar dos especialistas, após a análise das imagens de satélite da Planet Labs, associou o incidente a uma avalanche de gelo e rochas proveniente de um glaciar situado na bacia alta do corredor fluvial de Bhote Koshi-Trishuli.

"As primeiras avaliações, apoiadas por imagens de vídeo e por dados sísmicos invulgares detetados nas proximidades da zona, sugerem que um grande volume de gelo e detritos rochosos caiu sobre o Lhende Khola, um afluente do Bhote Koshi", indicaram cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).

"Esta avalanche colossal terá gerado o violento aumento do caudal que arrastou as estações de monitorização hidrológica e colocou em risco várias instalações hidroelétricas na região", acrescentaram.

Esta inundação maciça junta-se a outras que assolaram a região dos Himalaias nas últimas décadas e ocorreu numa zona fortemente afetada pelo aquecimento global.

Segundo explicou esta quinta-feira a professora de Glaciologia e Geologia Glacial da Universidade de Newcastle (Reino Unido), Bethan Davies, esta zona está a aquecer rapidamente e este fenómeno é "particularmente acelerado" nas áreas glaciares acima dos 4.000 metros, o que está a causar "balanços de massa glaciar fortemente negativos".

Os cientistas do ICIMOD recordam que este aumento das temperaturas "está a alterar os glaciares, as condições da neve, o permafrost e as encostas das montanhas em toda a região do Hindu Kush-Himalaia".

Os glaciares do Himalaia derreteram 65% mais rapidamente entre 2011 e 2020 do que na década anterior e, no caso do planalto tibetano, poderá perder mais de metade da sua massa glaciar até 2100.

O ICIMOD alertou, num relatório de 2023, para a ocorrência de mais avalanches, deslizamentos de terra ou inundações nas montanhas que albergam 200 lagos glaciares

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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