Organização Marítima Internacional alerta que Ormuz continua inseguro
A rsenio Domínguez observou, numa entrevista à agência Efe, que quase 6.000 tripulantes estão presos na zona de conflito há quase seis meses, sem possibilidade de retirada, enquanto cerca de 70 embarcações foram atacadas e 20 trabalhadores marítimos morreram na sequência do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irão.
"A minha mensagem para os armadores e operadores, incluindo as companhias de navegação, é que, em primeiro lugar, realizem avaliações de risco, mas, acima de tudo, evitem transitar pelo estreito de Ormuz", advertiu.
O representante da OMI explicou também que os movimentos registados nos últimos dias foram "muito limitados", comparando com níveis semelhantes aos do início do conflito, e realçou que a prioridade deve ser a proteção dos marinheiros, e não a manutenção do fluxo comercial.
A paralisação, no entanto, tem consequências globais e, segundo Domínguez, aproximadamente 20% do petróleo bruto mundial, 19% do gás natural liquefeito e 13% dos produtos químicos e fertilizantes utilizados por outras economias passam pelo estreito de Ormuz.
Por isso, alertou que uma crise prolongada não afetará apenas os preços dos transportes e da energia, mas também poderá ter impacto na produção de alimentos.
"Quanto mais este conflito se arrastar (…) mais afetará os tripulantes e a população mundial, com repercussões económicas que também terão impacto na segurança alimentar nos próximos anos."
A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro deveria durar algumas semanas, segundo o Presidente norte-americano Donald Trump, mas o conflito está prestes a completar seis meses e sem previsão de término.
Domínguez realçou que algumas tarifas marítimas chegaram a ser duas ou três vezes superiores aos preços normais, enquanto os prémios de seguro também subiram, e o aumento do custo do combustível foi acompanhado por escassez em algumas partes do mundo.
A OMI mantém contacto diário com os países diretamente envolvidos, além de trabalhar para facilitar a assistência aos tripulantes que permanecem retidos e para garantir que as companhias e os armadores mantêm o abastecimento de provisões, indicou Domínguez.
O secretário-geral da OMI advertiu também contra a proliferação de conflitos noutras rotas, incluindo o mar Vermelho, que aumenta a pressão sobre a economia global, porque os navios mercantes e as suas tripulações "não estão preparados nem têm a intenção" de participar em confrontos.
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