Japão e EUA discutem assassinato em Okinawa e sanções ao TPI
Os chefes da diplomacia japonesa e norte-americana falaram ao telefone, pela primeira vez desde a detenção do fuzileiro dos EUA suspeito de assassinar uma mulher em Okinawa e das sanções de Washington contra o Tribunal Penal Internacional.
O ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, manteve com o homólogo norte-americano, Marco Rubio, uma conversa de aproximadamente 15 minutos no sábado, pelas 21:45, hora local (12:45 TMG), em que ambos os assuntos - o caso da detenção do fuzileiro dos Estados Unidos e o das sanções decretadas por Donald Trump contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), presidido pela juíza japonesa Tomoko Akane - foram abordados, segundo comunicados de ambas as partes.
Durante a chamada, Motegi abordou o homicídio de Anna Yagi, uma mulher japonesa de 39 anos, no passado dia 03, supostamente pelo cabo-adjunto da Marinha dos EUA, Devin Jacob Ballard, de 20 anos, destacado na Base Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais de Futenma, detido no dia seguinte ao homicídio.
Rubio terá expressado as condolências, bem como a "firme determinação" de cooperar com as autoridades japonesas durante a investigação, de acordo com os comunicados.
Além disso, o chefe da diplomacia japonesa transmitiu a posição do Governo da conservadora Sanae Takaichi sobre as sanções contra o organismo com sede em Haia, depois de a própria primeira-ministra ter afirmado que o país asiático está "profundamente preocupado" com as medidas, que qualificou de "incompatíveis".
O secretário de Estado norte-americano salientou a necessidade das sanções devido a alegadas "ações arbitrárias" do TPI, que ameaçam a soberania norte-americana».
Apesar das diferenças, ambos os ministros concordaram em manter uma "comunicação estreita" e continuar a trabalhar em conjunto para reforçar a aliança entre Tóquio e Washington, num contexto de "segurança complexa", assim como para impulsionar a cooperação bilateral numa vasta gama de áreas.
A conversa teve lugar após a onda de indignação em Okinawa, desde a detenção do fuzileiro naval por alegadamente ter assassinado e roubado Anna Yagi, o que levou as autoridades a exigirem medidas contra a violência dos soldados, incluindo a revisão do acordo sobre as tropas.
As forças norte-americanas em Okinawa suspenderam as operações militares durante 48 horas para realizar um treino sobre normas e disciplina, implementaram um "período de reflexão" de 30 dias e um recolher obrigatório - das 00:00 às 05:00 -, juntamente com a proibição de saídas da base e restrições ao consumo de álcool.
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