IA ganha terreno nas empresas chinesas e deixa trabalhadores para trás
“Parte muito grande do motivo é obviamente a IA, porque tecnicamente conseguem substituir uma boa parte do meu trabalho”, disse à agência Lusa o suíço, que trabalhava na área de jogos da Kunlun Tech, na capital chinesa, fazendo localização, tradução e revisão de conteúdos em alemão.
Ros estima que cerca de 15 pessoas tenham sido dispensadas nesta ronda.
Meses antes, vários trabalhadores da área de desenho e pintura digital deixaram também a empresa.
A Kunlun não invocou formalmente a Inteligência Artifical (IA) como motivo para o despedimento, mas algumas das tarefas desempenhadas por Ros podem agora ser automatizadas.
“Para uma empresa, é uma grande tentação substituir um humano por um sistema de IA”, observou Ros, ressalvando, porém, que desaparece também a verificação humana: “Ficamos apenas com tradução automática e ninguém sabe se está correta.
A IA alucina”.
A empresa continua interessada nos seus serviços, afirmou, mas não em mantê-lo nas mesmas condições laborais.
Para Ros, o problema imediato é permanecer na China, onde a sua situação de residência depende do emprego.
“Neste momento, essa é definitivamente a minha maior preocupação”, descreveu.
O suíço sente a mesma transformação no mercado de tradução fora da empresa.
Trabalhos que fazia anteriormente “desapareceram completamente”, enquanto as remunerações oferecidas aos profissionais estão a diminuir.
“Agora competimos com sistemas de IA”, resumiu.
Um estudo da Universidade ShanghaiTech, divulgado em julho, concluiu que 33,2% de 40,01 milhões de anúncios de emprego publicados na China entre janeiro e abril envolviam tarefas altamente expostas à IA, sobretudo em áreas como contabilidade, operações administrativas, produção de conteúdos visuais e vendas por telefone.
A pressão é maior nos postos de entrada e intermédios, com entre um e três anos de experiência e salários mensais entre 5.000 e 8.000 yuan (640 a 1.025 euros), segundo o estudo.
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