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Clara Raposo defende mais investimento e reforço da confiança perante incerteza geoeconómica

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Clara Raposo defende mais investimento e reforço da confiança perante incerteza geoeconómica

A vice-governadora do Banco de Portugal, Clara Raposo, defendeu que empresas, investidores e decisores públicos devem preparar-se para um contexto duradouro de maior incerteza, através de análises por cenários, investimento em áreas estruturais e reforço da confiança nas instituições.

Na intervenção no Euronext Porto Annual Summer Gathering 2026, Clara Raposo sustentou que a principal mudança dos últimos anos não foi apenas a sucessão de choques — da pandemia às guerras, passando pela crise climática e pelas tensões comerciais —, mas a erosão da confiança em instituições, relações económicas e previsões que antes ajudavam a tornar o futuro mais previsível.

A responsável considerou que a geopolítica voltou ao centro das decisões económicas, através de tarifas, sanções, restrições tecnológicas, disputas por matérias-primas críticas e dúvidas sobre a evolução do sistema multilateral.

Estes fatores nem sempre provocam reações imediatas nos mercados financeiros, mas condicionam decisões de investimento, cadeias de abastecimento, localização da produção e estratégias empresariais.

Clara Raposo salientou que os riscos atuais deixaram de atuar isoladamente, cruzando alterações climáticas, conflitos, comércio internacional, cadeias logísticas, inteligência artificial, cibersegurança e competição por energia e minerais críticos.

A economia digital, sublinhou, depende também de recursos físicos, incluindo energia, água, redes elétricas, centros de dados e infraestruturas de comunicação.

Perante este quadro, a vice-governadora defendeu que os agentes económicos devem atribuir maior importância à construção de cenários, em vez de se concentrarem exclusivamente numa previsão central para o crescimento, a inflação ou as taxas de juro.

“As projeções” continuam a ser necessárias, mas não lhes deve ser exigida uma precisão que não podem assegurar num ambiente de elevada incerteza, referiu.

Para as empresas, esta abordagem implica testar modelos de negócio, cadeias de fornecimento e estruturas de financiamento; para os investidores, avaliar o comportamento dos ativos em cenários adversos.

No caso das infraestruturas de mercado, Clara Raposo apontou a necessidade de garantir continuidade operacional perante picos de volumes de negociação, falhas tecnológicas, ciberataques ou indisponibilidade de fornecedores críticos, destacando a resiliência operacional demonstrada pela Euronext.

Clima, educação e inovação A vice-governadora identificou a transição energética, a adaptação às alterações climáticas, a educação e a inovação tecnológica como investimentos necessários em quase todos os cenários plausíveis.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.

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