OCDE alerta para risco oculto da inteligência artificial nas bolsas e na dívida
Enquanto os índices bolsistas continuam a bater recordes puxados pelas grandes tecnológicas, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) alerta para o modo como as empresas de inteligência artificial (IA) se têm financiado para sustentar a corrida aos centros de dados.
No “Interim Economic Outlook” divulgado esta quarta-feira, a organização escreve que “as crescentes preocupações quanto aos riscos orçamentais de longo prazo e a pesada emissão de dívida empresarial de longo prazo por parte das empresas de IA são fatores chave que colocam pressão ascendente sobre as taxas de mercado e sobre o prémio de prazo exigido para deter obrigações”.
Os técnicos da OCDE fazem assim uma correspondência direta entre o apetite financeiro da IA à subida generalizada dos juros da dívida soberana.
Essa ligação ajuda a explicar por que razão as taxas de juro de longo prazo atingiram, este ano, “os níveis mais altos em 15 anos ou mais na maioria das grandes economias avançadas”, um recorde que a OCDE atribui tanto às dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas como à concorrência que as obrigações das tecnológicas fazem aos títulos do Tesouro na captação de investidores.
As métricas de avaliação convencionais sugerem, ainda assim, que os mercados acionistas permanecem esticados, particularmente nos setores tecnológicos.
OCDE Relatório 'Interim Economic Outlook' de setembro Apesar disso, as condições financeiras globais mantêm-se “de apoio à atividade”, ressalvam os técnicos da OCDE, referindo que tanto o crédito bancário tem acelerado como as bolsas têm valorizado com força em várias praças, sobretudo na Europa, no Canadá e no Japão.
A OCDE nota ainda uma correção pontual na Coreia do Sul, após o forte crescimento dos títulos de semicondutores ligados à IA, mas sublinha que a “volatilidade tem sido, em geral, moderada”.
OCDE pede reformas urgentes para blindar dívida e energia Ler Mais O contraste entre esta aparente calma e os fundamentais é o que mais preocupa os analistas da OCDE.
Segundo o relatório, “ as métricas de avaliação convencionais sugerem, ainda assim, que os mercados acionistas permanecem esticados , particularmente nos setores tecnológicos, ao mesmo tempo que os mercados têm mostrado pouca reação à subida em curso das taxas de juro de longo prazo”.
Ou seja, os investidores continuam a pagar preços elevados por ações de empresas de tecnologia praticamente sem olhar ao custo do dinheiro , uma desconexão que a organização coloca entre os principais riscos descendentes para o crescimento mundial nos próximos dois anos.
Para sustentar esses preços, as cotadas ligadas à inteligência artificial precisam de entregar resultados que, para já, existem apenas nas projeções dos analistas.
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