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Cerca de três mil pessoas detidas em Nova Deli durante protestos

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Cerca de três mil pessoas detidas em Nova Deli durante protestos

Cerca de três mil pessoas foram detidas hoje em Nova Deli, na Índia, num dia marcado por protestos convocados pelo movimento Partido do Povo das Baratas (CJP).

De acordo com a agência Europa Press, as detenções visavam impedir a manifestação que exigia a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral, mas a organização prometeu continuar o protesto.

Sob a alegação de que a manifestação anunciada não tinha sido autorizada, a polícia deteve, durante a manhã, os três principais líderes do 'movimento das baratas', grupo que iniciou o protesto, ainda dentro do avião que os levava a Nova Deli.

"Viemos para ser presos, prendam-nos", desafiou Abhijeet Dipke, fundador do CJP.

O centro de Deli, bloqueado desde sexta-feira por mais de vinte mil polícias, e sem acesso à Internet móvel, permaneceu inacessível aos manifestantes hoje, constataram jornalistas da Agência France Presse.

Ao longo do dia, as forças de segurança detiveram sistematicamente todos aqueles que tentavam chegar a Jantar Mantar, local de encontro definido pelos organizadores do protesto.

A polícia não divulgou um balanço oficial das detenções.

À frente do movimento de contestação, o líder da oposição, Rahul Gandhi, pediu à população que não se deixasse intimidar pela repressão e que mantivesse a mobilização.

Perante este cenário, o Alto-Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos exigiu hoje a libertação "imediata" e incondicional de todas as pessoas "detidas arbitrariamente" em Nova Deli durante a manifestação.

Há várias semanas que a oposição e as 'baratas' lideram um movimento de contestação contra uma revisão das listas eleitorais que resultou na exclusão de 130 milhões de eleitores registados, segundo um levantamento da imprensa.

Os protestos na capital indiana vieram intensificar uma campanha a nível nacional contra uma controversa revisão do recenseamento eleitoral que tem alimentado a indignação contra as autoridades eleitorais e contra o Governo do primeiro-ministro Narendra Modi.

A manifestação de hoje surge na sequência de dias de protestos na capital indiana, onde os deputados da oposição também intensificaram a sua campanha, tendo o líder do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, sido detido brevemente pela polícia.

Para Modi, os protestos representam um desafio a meio do seu terceiro mandato, embora o impacto político continue a ser incerto.

As eleições nacionais só estão previstas para 2029, mas as eleições estaduais do próximo ano em Uttar Pradesh - o estado mais populoso da Índia, governado pelo BJP - e em Gujarat, o estado natal de Modi, irão pôr à prova a posição do partido.

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