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Economia

China quer trabalhar com Rússia para proteger rotas marítimas e abastecimento energético

Jornal Económico ·
China quer trabalhar com Rússia para proteger rotas marítimas e abastecimento energético

A China defendeu o reforço da cooperação com a Rússia para garantir a segurança das principais rotas marítimas internacionais e a estabilidade do abastecimento energético, num contexto de perturbações no transporte mundial de petróleo e tensões geopolíticas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que Pequim está disposta a coordenar as estratégias marítimas com Moscovo, durante um encontro realizado na segunda-feira na capital chinesa com Nikolai Patrushev, assessor do Presidente russo, Vladimir Putin.

“A China está disposta a trabalhar com a Rússia para reforçar a coordenação das estratégias marítimas, aproveitar as vantagens complementares de ambos os países e proteger os respetivos interesses marítimos legítimos”, afirmou Wang, segundo um comunicado divulgado hoje pela diplomacia chinesa.

O ministro defendeu que os dois países devem “salvaguardar a segurança marítima na região Ásia-Pacífico e garantir a circulação normal nos principais corredores marítimos mundiais”.

Wang sublinhou a necessidade de respeitar a soberania e a segurança dos Estados costeiros e de assegurar a estabilidade do abastecimento de energia e matérias-primas, bem como o funcionamento das cadeias de produção e abastecimento.

As declarações surgem num contexto de fortes perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, uma das principais vias de abastecimento energético mundial, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

As sanções ocidentais impostas à Rússia têm também aumentado a importância de rotas comerciais alternativas para Moscovo e Pequim.

Durante o encontro, Wang destacou a convergência entre a iniciativa chinesa da “Rota da Seda Polar” e os planos russos para desenvolver as rotas marítimas do Ártico.

“Ambas as partes devem alargar os intercâmbios nos assuntos marítimos e do Ártico, ativando um ‘motor azul’ para o desenvolvimento das relações entre a China e a Rússia”, acrescentou.

Patrushev, que preside ao Conselho Marítimo da Rússia, manifestou a disponibilidade de Moscovo para reforçar a cooperação com Pequim na construção de um corredor internacional de transporte através do Ártico e na governação marítima multilateral.

Segundo um comunicado do organismo russo, o assessor de Putin considerou que o crescimento das relações comerciais e energéticas entre os dois países exige rotas de transporte fiáveis e resistentes a perturbações.

“Com a concretização destas iniciativas, os nossos países podem transformar o mapa geoeconómico mundial, tornando o comércio marítimo mais barato, acessível e seguro face a quaisquer riscos, incluindo a escalada militar, a pirataria e as sanções”, afirmou Patrushev.

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