FMI avisa que bastam “choques modestos” para empurrar Zona Euro para recessão
Apesar da acumulação de choques adversos, as economias europeias continuam a crescer, embora de forma “frágil” .
No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa que “os desafios estruturais” do Velho Continente permanecem , o que leva a que “ mesmo choques modestos ameaçam empurrar a Zona Euro para uma recessão “.
O alerta consta da atualização do Regional Economic Outlook , publicado esta sexta-feira.
FMI mais pessimista que Governo prevê crescimento de 2,1% Ler Mais O FMI reviu recentemente em alta a estimativa de crescimento para os países da moeda única europeia para 1,1% este ano e manteve inalterada a projeção para 2027, nos 1,2% .
No relatório, os economistas do Fundo alertam para a que consideram ser a principal fraqueza do bloco: o fraco crescimento da produtividade , “que prejudica o crescimento potencial e torna a Europa mais vulnerável a choques adversos”.
Com um potencial de crescimento a médio prazo de cerca de 1,1%,, mesmo choques modestos ameaçam empurrar a Zona Euro para uma recessão.
FMI Regional Economic Outlook de outubro de 2026 A diferença, quando comparado com a evolução da produtividade nos Estados Unidos (EUA) é ainda maior.
O FMI mostra que “o desenvolvimento e uso de capital intangível, incluindo recurso a inteligência artificial (IA), contribuiu com 0,75 pontos percentuais para o crescimento da produtividade laboral nos EUA na última década , entre 2014 e 2025, mais do dobro da União Europeia (UE) “.
E esta disparidade não dá sinais de abrandar, uma vez que a Europa parece também estar a ficar de fora do atual boom de investimento e exportações relacionados com a IA , que tem contribuído para o crescimento noutras regiões, nomeadamente na Ásia.
Parte desta falta de produtividade também se deve às reformas estruturais com as quais a UE, à falta de consenso, não tem avançado .
Entre elas contam-se um mercado único incompleto , incluindo um mercado de capitais fragmentado , e uma agenda reformista interna num impasse que mantém em vigor “ barreiras que impedem as empresas de ajustar a sua dimensão , aceder a financiamento adequado, alcançar um mercado mais vasto e beneficiar das externalidades de aglomeração”.
A eliminação de todas as distorções nas políticas nacionais e a remoção de obstáculos entre fronteiras ainda existentes ao comércio e à mobilidade laboral na UE têm o potencial de aumentar a produtividade em cerca de 20%.
FMI Regional Economic Outlook de outubro de 2026 Estas barreiras, que resultam também em menor inovação e escala, ganham nova relevância com as exportações a abrandarem tanto nas economias europeias avançadas , embora de forma mais modesta, como na Europa Central, Oriental e do Sudeste (CESEE).
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