Ministro marroquino volta a defender "libertação" de Ceuta e Melilla
N o seu discurso durante a celebração do Eid al-Maulud, que comemora o nascimento do profeta Maomé, e na qual também estavam presentes o príncipe herdeiro, Mulay Hasán, e o primeiro-ministro, Aziz Ajanuch, o ministro dos Assuntos Islâmicos referiu-se às duas cidades autónomas, recorrendo a dois eruditos islâmicos nascidos em Ceuta numa época anterior à passagem desse território do Norte de África para a soberania espanhola, em 1580.
De acordo com a agência oficial marroquina MAP, citada pela agência noticiosa espanhola Europa Press, Toufiq destacou o “profundo vínculo” dos marroquinos com Maomé, que se manifesta através de uma expressão de caráter político, como é o caso do comando dos crentes que o monarca detém enquanto descendente do profeta, e de outra de caráter espiritual e emocional.
Nesta segunda intervenção, Toufiq referiu-se a obras do cádi (magistrado muçulmano) Ayyad, de Abú al Abbas al Zafi e mencionou uma outra do imã Al Jazuli, “Os guias para os caminhos do Bem”, cujas orações foram invocadas pelos marroquinos “na sua luta sagrada para libertar as cidades ocupadas situadas ao longo do Oceano Atlântico no início da era contemporânea”.
O cadi Ayyad nasceu em Ceuta no final do século XI e foi juiz dessa cidade, além de ter exercido brevemente as funções de juiz em Granada, sendo considerado um dos sete santos de Marraquexe, tal como o imã Al Jazuli, que viveu no século XV e é uma figura proeminente do sufismo em Marrocos. Também Al Zafi nasceu em Ceuta e era membro da família governante da cidade no século XIII.
As palavras do ministro dos Assuntos Religiosos, recorrendo a argumentos de natureza religiosa e histórica, surgem na sequência das declarações que proferiu nas últimas semanas, na sequência da entrada em massa de perto de 80.000 migrantes em Ceuta entre 30 e 31 de agosto, o ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, que também reivindicou os “direitos históricos e geográficos” de Marrocos sobre Ceuta e Melilla e levantou a necessidade de um diálogo sobre a questão com Espanha.
O evento, segundo a agência MAP, contou também com a presença dos presidentes das duas câmaras do parlamento, conselheiros do rei, membros do governo, presidentes das instâncias constitucionais, oficiais superiores do Estado-Maior Geral das Forças Armadas Reais, membros do corpo diplomático islâmico acreditado em Rabat, bem como de vários ulemás (teólogos muçulmanos) e outras personalidades civis e militares.
Os enclaves de Melilla e Ceuta constituem as duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, estando sob domínio da Coroa Espanhola desde 1497 e 1668, respetivamente, sendo que, antes de ser território espanhol, Ceuta foi conquistada por Portugal, em 1415.
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