Kiev pede que não se reconheça votação em territórios ocupados
A Ucrânia instou hoje a comunidade internacional a não reconhecer os resultados das eleições parlamentares realizadas pelas autoridades russas em territórios ucranianos ocupados, enquanto alerta para políticas de russificação forçada na tentativa de legitimar o domínio destas áreas.
As eleições, realizadas na Rússia entre hoje e 20 de setembro, são "uma farsa da potência ocupante, que nada tem a ver com eleições democráticas", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia em comunicado.
A Ucrânia não reconhece nem eleições que considera ilegais nem os seus "resultados sem sentido", acrescentou o ministério, referindo-se à votação realizada na Península da Crimeia, anexada por Moscovo desde 2014, e nas regiões parcialmente ocupadas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson.
Estas áreas representam cerca de 20% do território ucraniano e correspondem às principais frentes de combate desde a invasão em grande escala das tropas da Rússia, em fevereiro de 2022.
Moscovo considera-as oficialmente território russo, apesar de a generalidade da comunidade internacional não o reconhecer.
"Apelamos aos Estados estrangeiros, às organizações internacionais e a outros sujeitos de Direito internacional para que não reconheçam estas ações da Rússia e não as considerem uma manifestação da legítima vontade política da população dos territórios ucranianos temporariamente ocupados", afirmou a diplomacia de Kiev.
Esta declaração reflete a preocupação de que as eleições possam conferir uma aparência de legitimidade à ocupação russa das regiões ucranianas, caracterizadas por graves violações dos direitos humanos, segundo as autoridades ucranianas e organizações não-governamentais.
"Não pode haver livre expressão de vontade nestes locais onde os ucranianos são perseguidos pela sua postura pró-ucraniana, torturados, intimidados e forçados a obter documentos russos", condenou o provedor da Ucrânia para os Direitos Humanos, Dmytro Lubinets.
Vários testemunhos recolhidos por defensores dos direitos humanos ucranianos indicaram que muitos habitantes daquelas regiões do sul e leste do país foram obrigados a aceitar passaportes russos sob a ameaça de perder o acesso a serviços básicos, como os cuidados de saúde.
As autoridades ucranianas instaram os habitantes das zonas ocupadas a evitarem participar nas eleições sempre que possível e avisaram para consequências criminais para cidadãos envolvidos na organização do processo eleitoral.
Os eleitores russos iniciaram hoje três dias de votação nas primeiras legislativas em tempo de guerra, que praticamente não contam com oposição e que deverão confirmar o domínio político do Kremlin.
As autoridades russas distribuíram a eleição ao longo do fim de semana, numa tentativa de aumentar a participação entre os 111 milhões de eleitores elegíveis, e permitiram o voto eletrónico.
O Kremlin quer que a eleição parlamentar --- a primeira desde o início da invasão da Ucrânia em 2022 --- reforce o apoio público à guerra e procurou evitar quaisquer riscos políticos, reprimindo o mais leve sinal de dissidência.
"A sua escolha e a sua determinação demonstrarão mais uma vez que milhões de pessoas apoiam os nossos combatent
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