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A Segurança Social vai ser pago pelas gerações futuras?

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A Segurança Social vai ser pago pelas gerações futuras?

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Ontem foram apresentadas as conclusões de um estudo sobre a Segurança Social, também com algumas propostas. O governo já agradeceu o contributo, mas para já compromete-se a não reabrir esta discussão sobre a Segurança Social. A esquerda, do Bloco de Esquerda ao PS, garante que o sistema é sustentável e que este relatório tem apenas por objetivo privatizar a Segurança Social. Isto numa altura em que, como bem sabemos, o valor das pensões que vão sendo pagas se vai degradando. Bom dia, Helena Matos. A Segurança Social é o grande bloqueio da democracia?

Sim, eu creio que sim. Eu creio que em relação ao Estado Novo, o grande bloqueio foi a questão do ultramar, a questão da guerra, e a democracia tem na Segurança Social aquele que é o seu grande bloqueio. E este bloqueio não se pode resolver por um golpe, por uma situação ou por uma solução desse gênero. Temos de ser nós mesmos a encontrar essa resposta. E ao ouvir o noticiário, ao ouvir o comentário de André Ventura àquilo que foi a apresentação deste relatório e o seu espanto pelo desequilíbrio das contas da Segurança Social. O homem que apresentou uma proposta de baixar a idade da reforma, fê-lo sem sequer ter ponderado o equilíbrio ou o desequilíbrio das contas da Segurança Social. Apetece-me só um bocadinho... É o último recurso que os portugueses têm quando não têm mais nada, que é dizer que o político é um fingidor que chega a fingir que é novidade a realidade que deveras conhece. Porque na realidade, seja André Ventura, seja qualquer outro líder deste país, e também os jornalistas que hoje fazem títulos como: "Afinal a Segurança Social tem um défice de 1,94 mil milhões". Todos nós sabemos que a Segurança Social tem um défice, nomeadamente, como neste relatório põe-se muita tónica na questão das contas da CGA, da Caixa Geral de Aposentações, todos nós sabemos que se tem de pagar aos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações. E portanto, por mais manobras contabilísticas que se façam para não pôr nas contas da Segurança Social esta despesa e apenas a receita desses pensionistas, a verdade é que a dívida está lá. Aquilo que nós temos é uma situação que, curiosamente, remonta a 50 anos, quando o primeiro governo constitucional, liderado por Mário Soares, teve de fazer o seu programa, e logo nesse programa se refere a situação financeira do setor da Segurança Social. Aliás, logo em 77, as prestações tiveram de aumentar substancialmente, porque elas à época eram de 7,5 para os trabalhadores, 19 para o patronato. Elas foram aumentadas substancialmente e o que acontece é que se atingiu o limite da cobrança junto dos trabalhadores e junto das empresas, e nós hoje temos também uma demografia com o envelhecimento da população que não ajuda nada. Só por milagre ou estupidez natural, é que se poderia, ou por má-fé, acreditar que as contas da Segurança Social estavam positivas. Ou seja, queremos acreditar que aqueles saldos que vamos tendo momentaneamente representam um equilíbrio estrutural dessas contas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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