Açores: Federação Agrícola diz que proposta para 2027 é "pior em 20 anos"
A Federação Agrícola dos Açores (FAA) deu um parecer negativo à anteproposta de Plano de Investimentos da região para 2027, considerando-a a pior dos últimos 20 anos, anunciou o presidente Jorge Rita.
"O parecer da federação, de forma objetiva e clara e sem restrições no comentário, é negativo, porque não faz qualquer tipo de sentido uma redução de 29%, na ordem dos 21 milhões de euros, na Agricultura.
É a maior redução de sempre na história dos planos e orçamentos", afirmou, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Segundo Jorge Rita, a anteproposta de Plano de Investimentos para 2027, apresentada pelo executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), contempla uma verba de 51,7 milhões de euros para o setor, quando em 2026 o montante atingia os 72 milhões de euros.
O presidente da Federação Agrícola classificou o plano como "fraco e mal concebido", alegando que "prejudica claramente a Agricultura".
"Se calhar, para mim, foi o pior Plano e Orçamento apresentado nos últimos 20 anos na região Autónoma de Açores.
Não estou a dizer só no montante total, mas na expectativa que nós tínhamos, atendendo ao aumento da inflação, dos custos, das necessidades que o setor tem, neste momento", frisou.
Para além de uma redução de 21% nos apoios às associações do setor e de 50% nos investimentos em caminhos agrícolas e infraestruturas de abastecimento de água e de luz, Jorge Rita alertou para o risco de ficarem por executar as verbas do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), que termina em 2028.
"Temos já vários projetos aprovados e a comparticipação regional tem de lá estar.
São 15% para as ajudas que vêm da União Europeia e não está contemplado nesse plano absolutamente nada dessas ajudas", alertou.
Em causa, podem estar, segundo o representante da lavoura, 24 milhões de euros de fundos comunitários, sobretudo para a instalação de jovens agricultores e para a modernização das explorações agrícolas.
O presidente da federação lamentou ainda a falta de medidas para fazer face a um possível agravamento dos custos de produção no setor, alertando que 2027 será "pior do que 2026".
"Se tivermos aqui uma situação que se venha a complicar cada vez mais, o Governo Regional, de forma proativa, não tem nada.
Ou fica à espera que o Governo da República ajude ou que a União Europeia ajude.
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