Redes criminosas latino-americanas expandem-se pela Europa e Portugal está entre os países afetados
As organizações criminosas da América Latina estão a reforçar a sua presença na Europa, estabelecendo ligações com grupos mafiosos locais e expandindo as redes de tráfico de cocaína.
Portugal está entre os países identificados numa investigação de quatro meses publicada esta terça-feira pelo jornal britânico The Guardian.
O trabalho, baseado em dados policiais, informações dos serviços de segurança e entrevistas a investigadores e especialistas, identificou organizações e fações criminosas da Colômbia, Brasil, Equador, Venezuela e México, entre outros países, com atividade em pelo menos 12 países europeus.
A dimensão do fenómeno é acompanhada pelo aumento das apreensões de cocaína.
Entre 2014 e 2024, a quantidade confiscada na Europa cresceu 471%, segundo os dados reunidos pela investigação.
Um dos grupos destacados é o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa brasileira com origem em São Paulo.
Um relatório não publicado do Ministério Público daquele estado, parcialmente baseado em informações da Agência Brasileira de Inteligência e consultado pelo The Guardian, indica que o grupo poderá operar em 16 países europeus.
O dado não significa que controle esses territórios ou tenha estruturas de dimensão equivalente em todos eles.
Portugal continua a surgir no contexto das principais rotas marítimas de entrada de cocaína na Europa.
Em 2024, as autoridades portuguesas apreenderam 23 toneladas da droga, de acordo com dados da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA).
Em janeiro de 2026, a Polícia Judiciária anunciou a apreensão de quase nove toneladas de cocaína após a interceção de um semissubmersível ao largo dos Açores.
A operação envolveu a Marinha e a Força Aérea portuguesas, em coordenação com autoridades internacionais.
Foram detidos quatro homens, três colombianos e um venezuelano.
A embarcação transportava cerca de 300 fardos de cocaína e acabou por se afundar.
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