Jorge Palma, o teu Gang é Portugal
Nos primeiros anos da década de 1990, descobri com um grupo de amigos um monte na Zambujeira do Mar que alugava quartos a um preço muitíssimo em conta, o que permitia esticar ao máximo a estadia.
Fora a casa principal, não havia luz, nem água canalizada, mas à data ter um tecto e um fogão a gás era quanto bastava para fazer da costa alentejana a nossa casa de verão.
Além disso, aquele monte oferecia uma outra garantia que viríamos a apreciar, ainda mais, com o passar do tempo: a privacidade.
Mas já lá iremos.
Naquela altura, numa era ainda pré-festival Sudoeste, sem redes sociais, nem telemóveis, a Zambujeira do Mar era tida como local de refúgio de artistas nacionais.
Numa espécie de mito urbano, cuja origem ninguém conhecia, dizia-se que Jorge Palma também tinha frequentado aquele modesto monte.
Não era um artista qualquer, era “O” Jorge Palma, alguém que todos naquele grupo, ainda muito jovens, admirávamos há muito.
Não só pela música, mas também pela aura de mistério que carregava, em que ele, sempre insubordinado, surgia no nosso imaginário envolto numa nuvem de fumo de cigarro, copo de whisky por perto, enquanto arrancava do piano melodias intemporais e cantava os versos que já conhecíamos de cor e que ainda hoje estão gravados na nossa memória.
Um dia perguntámos à proprietária, uma senhora de idade já avançada, se era mesmo verdade que Jorge Palma ali tinha pernoitado.
Garantiu não saber de quem falávamos e quando tentámos explicar que era um cantor famoso, cortou-nos a palavra e encerrou o assunto de forma sábia: “Ah, isso não me interessa.
Eu deixo-os estar”.
Nunca conseguimos confirmar a história.
E nunca Jorge Palma desapareceu do nosso radar.
A Estrela do Mar foi uma joia na banda sonora de um namoro que virou casamento e mais tarde uma família.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.