Lindsay Clancy matou os três filhos. "O facto de termos um crime que foi planeado não lhe retira o ónus de ter sido causado pela doença mental"
É o caso que está a chocar o mundo – e a alimentar burburinho, discussões e julgamentos nas redes sociais. Lindsay Clancy confessou ter matado os três filhos, depois de muitos pedidos de ajuda ignorados.
E levanta-se uma questão central: onde termina a doença mental e começa a responsabilidade criminal? A defesa mulher argumenta ter tido uma psicose pós-parto.
“O pós-parto é a tempestade perfeita: grande aumento de stress, privação de sono, mudança da identidade. Vamos ter, principalmente, um abalo hormonal”, começa por explicar a psiquiatra Maria Moreno, em entrevista ao Jornal da CNN .
Primeiro é preciso diferenciar “baby blues” de depressão pós-parto. O primeiro é muito frequente, acontece a oito em cada 10 mulheres, “tem os mesmos sintomas de uma depressão pós-parto, mas passam no máximo em duas semanas”.
Por isso, quando esses sintomas se arrastam para lá deste período, fala-se já em depressão pós-parto, com “tristeza, ansiedade, irritabilidade”.
“Pode ser aquela mãe que não consegue estabelecer uma relação com o filho, mas também pode ser aquela mãe que recebe as visitas em casa e não deixa ninguém aproximar-se do bebé. Pode ser a mãe que tem vontade de fazer mal a si própria ou aquela mãe que tem muito medo de fazer mal ao bebé”, descreve a especialista.
De volta ao caso de Lindsay Clancy. Após análise dos elementos tornados públicos, Maria Moreno considera que “pensamentos intrusivos não é aquilo que está em questão neste caso”, porque tal implica “uma mãe que pensa em fazer mal ao bebé, mas que a ideia a horroriza” – ou seja, que não passa do pensamento à ação.
O quadro de psicose pós-parto – alegado pela defesa – acontece a duas em cada mil mulheres. “A pessoa deixa de estar em contacto com a realidade. Começa a sentir coisas, a ouvir coisas, a acreditar em coisas que não são verdade. O risco para a mãe e para os filhos é iminente”, diz a psiquiatra portuguesa.
O foco do julgamento está em perceber se Lindsay Clancy será considerada inimputável. Em que situações é que isto acontece? “Temos de provar que esta doença mental está diretamente relacionada com o crime que foi cometido” - algo que “pode não ser fácil”, nota Maria Moreno.
“Quer a acusação quer a defesa concordam que há doença mental. A grande dúvida é se a doença mental grave provocou a incapacidade desta mulher de perceber, na altura do crime, aquilo que estava a acontecer”, junta.
Um psicólogo forense ouvido no julgamento, Kirk Heilbrun, descarta a hipótese de psicose no momento da morte das crianças, não tendo acreditado na versão da mulher de que ouviu uma voz a dizer-lhe “mata as crianças para que te possas matar”. Porque, alega, não há relatos de essa mesma voz ter sido ouvida antes ou depois dos homicídios.
A tese de Kirk Heilbrutese é outra: a de que Clancy planeava suicidar-se e de que não queria que os seus filhos sofressem com a decisão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.