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O alojamento mais barato de Paris está a desaparecer: eis porquê

CNN Portugal ·
O alojamento mais barato de Paris está a desaparecer: eis porquê

Escondidos sob os telhados dos famosos edifícios haussmannianos de Paris - casa de alguns dos residentes mais ricos da cidade - encontram-se também os apartamentos mais acessíveis disponíveis: as famosas chambres de bonnes, ou quartos das criadas.

Originalmente concebidos há mais de dois séculos para alojar os criados que trabalhavam nestas residências exclusivamente burguesas, tornaram-se uma solução económica para várias gerações de estudantes e jovens viajantes dispostos a sacrificar espaço e conforto por um lugar no coração da cidade.

No entanto, devido às ondas de calor cada vez mais intensas que atingem o país, estes pequenos quartos estão rapidamente a tornar-se insuportáveis para viver, resultado de uma combinação entre telhados que absorvem calor e uma ventilação deficiente.

Os arquitetos de há dois séculos nunca imaginaram que os edifícios teriam de suportar regularmente verões de 40 graus Celsius. Um estudo de 2024 da agência de planeamento urbano Atelier Parisien d’Urbanisme (APUR) revelou que as habitações no último piso sem proteção solar adequada podem atingir temperaturas interiores até 10 graus Celsius superiores às do exterior.

À medida que estas temperaturas extremas ocorrem com maior frequência, esta experiência estudantil tradicional, e opção de alojamento de último recurso para muitos, poderá em breve estar em vias de extinção.

Anatoly Novikov, um estudante russo de 23 anos do Institut Polytechnique de Paris, poderá representar uma das últimas gerações a viver nestes antigos aposentos dos criados.

A sua humilde casa mede apenas nove metros quadrados - aproximadamente o tamanho de um lugar de estacionamento - e corresponde à área mínima legal para uma habitação em França. Embora estas condições possam ser inimagináveis para muitos, segundo ele, é um sacrifício que vale a pena pela localização privilegiada.

“Era uma espécie de sonho de infância tornado realidade”, afirma. “Sempre vivi nos subúrbios; queria experimentar estar realmente na cidade. Acho que é simplesmente uma experiência estudantil autêntica muito fixe em que, sim, a localização é incrível, mas tudo o resto é terrível.”

O seu bairro, Notre-Dame-des-Champs, é um dos mais abastados da cidade - o preço médio dos imóveis, de cerca de 14 mil euros por metro quadrado, está muito longe dos 700 euros que paga por mês.

Explica que os amigos demonstraram choque e preocupação perante o espaço apertado onde vive, mas, na sua opinião, sofrer faz parte da experiência estudantil.

“Acho que as celas de prisão são maiores”, afirma. “Outras pessoas não conseguiriam viver aqui; eu consigo. Estou a gostar da minha sobrevivência. É um desafio que aceitei.”

Bilal Guénanain, um estudante de 24 anos da Bretanha que vive numa chambre de bonne perto dos Campos Elísios, está feliz por sacrificar o seu nível de vida para concretizar o seu sonho parisiense.

“Viver em Paris sem ver a Torre Eiffel, para mim, seria muito triste”, afirma.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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