Lajes: Especialistas dizem que descontaminação pode já não ser possível
"E ssa descontaminação que está a ser feita é apenas no papel", apontou Norberto Messias, professor reformado da Universidade dos Açores, ouvido na Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do parlamento regional, reunida em Ponta Delgada, na sequência do estudo que tem realizado sobre o impacto ambiental da presença dos militares dos EUA naquela base aérea.
Os relatos que recolheu junto de antigos funcionários da base, referiu, demonstram a elevada dimensão da poluição que ocorreu em diferentes zonas, mas em especial ao longo dos 'pipelines' que eram utilizados para abastecer de combustíveis as estruturas militares, algumas das quais já se encontravam degradadas.
"Durante muitos anos, os próprios trabalhadores da base diziam que, para encher os tanques da central elétrica, era necessário fazer a trasfega de três vezes o volume dos tanques, porque duas partes ficavam pelo caminho, em derrames", recordou Norberto Messias.
A poluição por hidrocarbonetos, destacou, não está confinada à base, nem às suas imediações, uma vez que vários outros terrenos, em deferentes pontos da ilha, foram usados como depósito de resíduos de combustíveis, lamas químicas e chumbo, entre outros metais pesados.
"Esse terreno, onde foi depositado grande parte desses resíduos, fica acima do furo de abastecimento de água ao público da Canada da Bica, na Fonte do Bastardo", denunciou o investigador, adiantando que a qualidade da água desse furo deveria ser acompanhada pelas autoridades locais.
Além disso, "apesar de estar fora da zona de contaminação", o local pode ter sido influenciado pela presença dos terrenos próximos "que estão fortemente contaminados".
Também o jornalista da RTP/Antena 1 - Açores Armando Mendes, que denunciou durante vários anos a contaminação dos solos e aquíferos na ilha Terceira, entende que a situação "é tal forma grave" que a descontaminação será um processo difícil de concretizar.
"Eu não sei se ainda é possível fazer descontaminação ou se teremos de avançar para um programa sério de mitigação ambiental e salvaguarda da saúde pública, porque a contaminação é de enorme espetro e está de tal maneira impregnada, não só nos solos mas também nos aquíferos, em várias zonas da ilha Terceira", afirmou.
Segundo Armando Mendes, os norte-americanos parecem mostrar agora alguma preocupação relativamente a esta contaminação, mas apenas devido ao eventual impacto das indemnizações financeiras que possam ter de pagar: "Com o que eles estão preocupados é com o impacto desse estudo nos seus próprios militares e nos processos que esses militares podem meter contra o Estado norte-americano, por estarem expostos a essa contaminação."
Os dois especialistas foram ouvidos pelos deputados na sequência de uma proposta conjunta de vários partidos com assento parlamentar para que seja criada uma comissão técnica independente, para avaliar os verdadeiros impactos ambientais e de saúde pública da presença de hidrocarbonetos nos solos e aquíferos da ilha Terceira, devido à presença dos norte-americanos na ilha.
Norberto Messias entende, porém, que dessa comissão "não podem fazer parte pessoas que tenham feito formação nos Estados U
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