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Quando a análise vai ao terreno. Comentar a guerra na Ucrânia

CNN Portugal ·
Quando a análise vai ao terreno. Comentar a guerra na Ucrânia

Como analistas, a nossa análise em estúdio baseia-se, muitas vezes, em informações de várias fontes que nos são apresentadas em números. Quantas vítimas mortais, o número de feridos, quantos mísseis e drones lançados, entre outros indicadores que nos permitem dizer se foram ataques com maior ou menor dimensão.

Dependendo também da restante agenda mediática, o destaque surge de forma recorrente como um ataque maciço ou em larga escala contra a capital ucraniana. Os ataques tornaram-se tão frequentes que as próprias redações, por todo o mundo, já não os tratam como uma notícia extraordinária e o telespectador já não os recebe necessariamente como uma “informação dramática”.

Depois das imagens difundidas pelas agências internacionais e da contextualização, os comentadores procuram analisar em que ponto vai o conflito, cruzar expectativas de diferentes fontes, escrutinar o envolvimento internacional e, ciclicamente, o possível sucesso de negociações de paz.

Quando um comentador consegue aliar uma boa capacidade de comunicação a uma base sólida de conhecimento e a um raciocínio apurado, desafia o telespectador a pensar ou a compreender mais sobre determinado assunto. Quando há opiniões diferentes, no caso de as convicções resultarem de uma análise séria dos factos, o debate torna-se ainda mais interessante.

Não obstante todos estes pontos que julgo pertinentes, no exercício do comentário, tal como na docência, sinto que facilmente caímos em bolhas mediáticas ou académicas. Tal como numa sala de aula não posso ser apenas a ponte para doutrinas de biblioteca, explicando as normas e princípios do Direito Internacional sem refletir sobre as suas violações, num estúdio devemos procurar ir além dos focos e dos números do ciclo noticioso.

Se no comentário nacional sair da bolha significa frequentar locais, utilizar serviços públicos, conhecer o funcionamento das instituições e falar com pessoas que dizem mais do que sondagens, o tal país real, no comentário internacional esse desafio é geograficamente mais difícil.

Descobrir o mundo real vai ainda além de conhecer os corredores das instituições internacionais. Muitas vezes é preciso ver como a geografia e a História se refletem nas sociedades, percebendo que estas também não são uniformes. Claro que é mais do que viajar e conhecer pessoas, senão um gap year seria uma credencial suficiente, mas ter mundo também passa por esse itinerário.

No caso de um conflito armado, essa experiência de terreno, apesar de não ser recomendável para a saúde mental, aprofunda a análise e muda o foco, decifrando também a guerra de informação. Em estúdio, conseguimos, de forma mais estável, assegurar uma análise mais macro, mas no terreno testemunhamos as repercussões micro, e as duas não estão dissociadas.

Tal como qualquer telespectador, cresci a ver imagens nos noticiários sobre a guerra, mas felizmente nunca a tinha sentido. Estou pela quinta vez na Ucrânia e a perceção muda.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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