Governo espanhol sobe a fasquia aos data centers. Setor ameaça com fuga para Portugal
Um projeto de decreto do Governo espanhol para a indústria dos centros de dados está a causar celeuma no setor , que ameaça deslocalizar investimentos de Espanha para outras geografias, incluindo para Portugal.
A proposta, que esteve em consulta pública até ao dia 10 de setembro, pretende fixar apertados “requisitos de sustentabilidade energética e ambiental” que, de acordo com a principal associação setorial, são impossíveis de cumprir no curto prazo.
Nos termos do diploma, os centros de dados em Espanha ficam obrigados a garantir que, em cada hora, pelo menos 80% da eletricidade consumida é coberta por produção renovável contratada nessa mesma hora.
Adicionalmente, contam apenas para esta quota as centrais renováveis cuja entrada em serviço não anteceda em mais de 18 meses o arranque do centro de dados , o que exclui praticamente toda a capacidade renovável já instalada no país.
As regras aplicam-se aos centros de dados com potência de acesso à rede igual ou superior a 1 MW (megawatt).
A proposta de lei prevê ainda penalizações pesadas para situações de incumprimento: por exemplo, um centro de dados que conte com geração renovável adicional inferior a 20% do consumo anual veria as tarifas de acesso à rede agravadas em 500%.
No caso de incumprimento do requisito de correlação horária, uma percentagem inferior a 20% significaria um agravamento das tarifas em 50% .
Cada mês consecutivo adicional de infração incrementa a penalização em dez pontos percentuais.
Portugal não pode ser “a lixeira” dos data centers da Europa Ler Mais As medidas chocaram setor.
“O impacto é tão negativo que estimamos que entre 80% e 90% do investimento previsto para os próximos anos, ou seja, em torno de 55 mil milhões de euros, poderia cair”, disse ao Expansión o presidente da Spain DC , associação que representa esta indústria.
Aliás, três companhias internacionais que estariam a preparar projetos no mercado espanhol terão já comunicado que levarão os projetos para outros mercados se o diploma vier a ser aprovado, segundo o mesmo responsável.
Emilio Díaz acrescentou ao jornal espanhol que “França e Portugal podem ser o destino dos investimentos que saem de Espanha”.
O ECO solicitou mais informações à Spain DC sobre esta matéria e pediu uma entrevista ao seu presidente.
Contudo, fonte oficial recusou, alegando que “decidiu suspender, por enquanto, entrevistas adicionais sobre esta questão específica , enquanto o processo regulamentar continua a avançar”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.