TAP: vender o resto ao grupo Lufthansa compensa ao Estado?
A possibilidade de vender a totalidade da TAP à Lufthansa volta a colocar em discussão o papel do Estado na companhia aérea portuguesa e a recuperação dos cerca de 3344 milhões de euros de dinheiro público investidos na empresa.
Depois de selecionar o grupo alemão para adquirir 44,9% do capital por 1201 milhões de euros, o Governo recebeu uma proposta adicional de 1351 milhões para alienar os restantes 50,1%, que prevê também a atribuição ao Estado de uma participação de 5% no grupo Lufthansa.
Para um economista a decisão não deve ser avaliada apenas pelo montante imediato que entra nos cofres do Estado.
“A questão fundamental é perceber se o país consegue recuperar o dinheiro investido sem continuar exposto aos riscos financeiros de uma companhia aérea.
Manter uma participação pode permitir beneficiar de dividendos e de uma eventual valorização futura, mas também significa continuar dependente dos resultados de uma empresa sujeita a ciclos económicos, custos elevados e forte concorrência”, explica José Moreira ao 24notícias .
O Governo de Luís Montenegro tem defendido a possibilidade de vender a totalidade da transportadora, uma opção que não avançou inicialmente devido à oposição política à alienação de mais de 49,9% do capital.
A proposta agora apresentada pela Lufthansa permite retomar essa possibilidade e abre caminho a uma saída integral do Estado da companhia, embora com uma contrapartida que inclui ações do grupo alemão.
É essencial separar o dinheiro que o Estado recebe imediatamente daquilo que poderá receber ao longo dos próximos anos.
O primeiro é um valor contratual, desde que o negócio se concretize.
Os dividendos e a valorização das ações são projeções, não garantias A proposta da Lufthansa para adquirir os restantes 50,1% da TAP prevê o pagamento de 863 milhões de euros pelas ações e a atribuição ao Estado de uma participação de 5% no grupo alemão, avaliada em 488 milhões de euros.
Somada à primeira fase da privatização, a operação representa uma contrapartida global de 2552 milhões de euros.
O valor é inferior aos cerca de 3344 milhões de euros que o Estado injetou na TAP na sequência da pandemia.
Para o Governo, a recuperação integral do investimento poderá ser alcançada até 2040, através da soma do dinheiro recebido, dos dividendos que a participação na Lufthansa venha a gerar e da eventual valorização das ações.
“É essencial separar o dinheiro que o Estado recebe imediatamente daquilo que poderá receber ao longo dos próximos anos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.