A Europa quer reindustrializar-se. Mas quem vai trabalhar nas fábricas?
Hoje, segunda-feira, escrevo de Banguecoque, onde começa o Gastech, um dos maiores eventos do mundo dedicado ao gás natural, LNG, hidrogénio, soluções de baixo carbono, eletrificação e Inteligência Artificial aplicada à energia.
No passado sábado, num jantar com executivos de vários países e CEO mundiais, a conversa passou pela Inteligência Artificial, energia, investimento e redes de fornecimento.
Até que um colega alemão resumiu a inquietação da mesa: “Podemos ter encomendas, tecnologia e capital, mas onde vamos encontrar as pessoas?” A pergunta expõe uma fragilidade que a Europa ainda não resolveu.
A Europa quer reindustrializar-se.
Quer reduzir dependências, reforçar a Defesa, que também depende da capacidade industrial, e recuperar autonomia estratégica.
Concordo.
Mas quem vive diariamente a indústria sabe que há uma parte da equação subestimada.
Uma fábrica não se constrói com uma estratégia em PowerPoint.
Constrói-se com pessoas.
Soldadores, eletricistas, mecânicos, técnicos de manutenção, operadores especializados, engenheiros de processo.
Pessoas que sabem instalar, testar, reparar e perceber, pelo som de uma máquina, que algo não está bem.
Segundo um Eurobarómetro da Comissão Europeia de 2026, 46% das PME têm dificuldade em encontrar trabalhadores com as competências certas.
E a Comissão estima que a força de trabalho da UE possa encolher até 18 milhões de pessoas até 2050.
Em Portugal, os números revelam um desequilíbrio curioso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.