Uma Nação de piratas
Refiro-me à Inglaterra ou se quisermos à Grã-Bretanha.
O tema dava para uma tese de doutoramento.
Recuando no tempo, convém lembrar como durante os séculos XVI e XVII, a monarquia inglesa abraçou a pirataria como um instrumento de política externa e como no século XVIII a descartou quando já não lhe era conveniente, como a considerou fora da lei e passou a perseguir os piratas.
Este princípio da conveniência com pouco apego a princípios éticos tem vindo a nortear a política externa inglesa desde então.
Os oligarcas russos conhecem esta realidade em primeira mão.
Inicialmente foram recebidos de braços abertos.
A City funcionou durante muitos anos como a lavandaria industrial do seu dinheiro.
Era a participação nos fundos de investimentos, nas cadeias de hotéis, nos iates e nos clubes de futebol, mas quando isso se tornou inconveniente não tiveram qualquer pejo em os esfaquear pelas costas e congelar os seus bens e o seu dinheiro.
Está bem presente o que aconteceu a Roman Abramovich e com o dinheiro da venda do Chelsea.
É assim que a Grã-Bretanha se tem comportado, e se continua a comportar, não se inibindo de se autoproclamar um baluarte dos valores liberais, que se desvanecem de imediato quando cheira a poder e dinheiro.
Não se estranha, por isso, que Londres tenha estendido a carpete vermelha a ditadores e oligarcas.
Recorde-se a proteção de Tony Blair ao general Augusto Pinochet, cujo regime foi responsável por milhares de mortes e desaparecidos, numa deslocação a um hospital londrino para tratamento.
A recusa do Governo britânico em cumprir o mandado de captura internacional contra Pinochet, emitido pelo juiz espanhol Baltazar Garzón, foi sustentado pela decisão da Câmara dos Lordes (à época o supremo tribunal) que entendeu que o princípio da imunidade de um ex-chefe de estado prevalecia sobre as normas de direito internacional relativas ao crime de tortura.
Pinochet regressou ao acolhedor regaço de Santiago do Chile, em 2000, onde morreu pacificamente com uma provecta idade.
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