quinta-feira, 20 de agosto de 2026 PortaisSobre🌓
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Louro pensado

Diário de Notícias ·

Não, não se trata de uma gralha.

Foi intencional.

Desconhecia completamente o sentido da expressão louro prensado.

De princípio julguei que fosse um ingrediente de uma receita culinária, assim como o alho esmagado ou o concentrado de tomate.

Quando percebi que ela tinha qualquer coisa que ver com drogas e o seu tráfico, pus-me a investigar.

Pude apurar que a expressão se refere a várias substâncias, com destaque para a folha de loureiro prensada, o giz e o pó de talco, que apresentam um aspeto semelhante a drogas.

A finalidade é iludir os compradores consumidores – frequentemente turistas estrangeiros –, levando-os a acreditar que estão a adquirir produto estupefaciente e a pagá-lo como tal.

Ora, sendo a venda de estupefacientes um crime, previsto e punido pelo Decreto-Lei n.º 15/93 , de 22 de janeiro, certo é que o louro prensado, o giz e o pó de talco não são estupefacientes, não estando a sua venda interdita, nem sendo, consequentemente, o vendedor suscetível de incriminação.

Transacionando o vendedor um produto legítimo, sem quaisquer propriedades estupefacientes, a verdade é que só consegue efetivar a venda mediante um logro, simulando estar a vender um produto proibido.

Assim sendo, pode suscitar-se a aplicação do artigo 207.º do Código Penal, cujo n.º 1 prevê e pune o crime de burla.

Não sendo versado em direito criminal, abstenho-me de tomar posição sobre o eventual preenchimento deste tipo penal.

Na semana passada constituiu notícia a posição tomada pelo partido Iniciativa Liberal, no sentido de ser criado um novo tipo penal, para criminalizar o comportamento em causa.

É uma reação comum em Portugal: olvidando que a criminalização deve constituir uma exceção, destinada, como derradeiro recurso, a castigar os comportamentos antissociais mais graves, quando não exista alternativa eficaz menos severa, lá se inventaria mais um crime (com a frequência com que alguns defendem novas incriminações, parece que só ficariam satisfeitos se metade dos habitantes do país estivesse presa e a outra metade fosse constituída por guardas prisionais).

Surpreendeu-me que a infeliz ideia viesse de espíritos supostamente liberais, de quem mais depressa se esperaria algo como a legalização do haxixe, que acabaria com uma parte significativa do negócio.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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