A cura para o cancro está nas vacinas?
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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Será que a cura para o cancro pode estar nas vacinas? Gripe, hepatite, varicela e Covid-19 são doenças virais que se podem prevenir com recurso a vacinas. O tétano, a tuberculose e a meningite são doenças bacterianas em que as vacinas também podem ser uma arma de prevenção. Agora, há uma nova utilidade para as vacinas que está a revolucionar o mundo da ciência. Falamos do combate ao cancro. Esta semana, as farmacêuticas Moderna e Merck anunciaram resultados preliminares promissores numa vacina experimental contra o melanoma. É o tipo mais grave e mais agressivo de cancro da pele. A fase três do ensaio clínico, ou seja, a fase em que se testa um novo tratamento em centenas ou milhares de doentes, revelou que esta nova terapia reduziu a reincidência e a disseminação do cancro da pele. Ou seja, neste caso, estamos sempre a falar de doentes que já fizeram um tratamento para este tipo de cancro. Esta nova vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro. É a mesma tecnologia que foi utilizada nas vacinas contra a Covid-19. Mas neste caso, as vacinas não são iguais para todos, são personalizadas, são feitas à medida, a partir da análise das mutações encontradas no tumor de cada doente. Há mais estudos nesta altura a serem feitos com vacinas mRNA para outros tipos de cancro e quase todos têm apresentado resultados promissores. Será que estamos a caminhar para uma cura do cancro com recurso a vacinas? É esta a pergunta que fazemos a dois investigadores portugueses. Vamos falar com Bruno Sarmento, investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, o I3S. É também membro da direção deste instituto e é editor do Jornal Europeu de Ciências Farmacêuticas. Tem uma vasta experiência no desenvolvimento de nanomedicinas e na aplicação a nível farmacêutico e biomédico, nomeadamente na área do cancro. Vamos falar também com Paula Videira. É professora catedrática na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, investigadora na área de glicobiologia e diretora de investigação da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas. Recentemente, Paula Videira desenvolveu um anticorpo capaz de distinguir com precisão células cancerígenas de células saudáveis. Esta descoberta valeu à cientista portuguesa um lugar entre os 12 finalistas do Prêmio Europeu do Inventor. Eu sou o Miguel Cordeiro e esta é a história do dia de sexta-feira, 21 de agosto. Bruno Sarmento e Paula Videira, bem-vindos à Rádio Observador. Obrigado pela disponibilidade. É um prazer podermos contar com tanta experiência científica neste episódio. E Paula Videira, vou começar por si. Talvez seja importante também começar pelo início de toda essa história, porque estamos a falar de vacinas mRNA. Que vacinas são estas e por que razão se estão a tornar tão importantes na investigação contra o cancro?
Muito obrigada pelo convite.
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