Contratos só de eletricidade sobem para 74,54% e o gás isolado cai para 5,65%
O mercado de energia doméstica em Portugal moveu-se durante anos numa direção previsível: fornecedores a empurrar contratos duais, consumidores a juntar eletricidade e gás natural na mesma fatura, e uma quota crescente de casas a tratar os dois produtos como um só.
Os dados mais recentes interrompem essa trajetória e merecem leitura cuidada, porque a inversão não é marginal.
Entre quem mudou de contrato, 74,54% escolheu apenas eletricidade, contra 70,20% no mês anterior.
Os contratos duais recuaram de 21,28% para 19,81%.
O gás isolado caiu de 8,52% para 5,65%, quase um terço do peso que tinha.
Em dois meses, o mercado passou a concentrar-se de forma ainda mais nítida no produto que representa a maior fatia da despesa energética das casas portuguesas.
Há uma explicação sazonal óbvia e não deve ser ignorada.
Agosto é o mês em que o gás natural conta menos numa casa portuguesa, porque não há aquecimento e o consumo se reduz a águas quentes e cozinha.
Quando alguém revê a fatura no pico do verão, o que vê é eletricidade: ar condicionado, ventoinhas, frigoríficos a trabalhar contra o calor.
É natural que a decisão de mudar se concentre onde o valor é visível.
Mas a sazonalidade não explica tudo, e há um segundo fator com efeito mais duradouro.
A dispersão de preços entre comercializadores de eletricidade atingiu níveis invulgarmente elevados, com diferenças anuais que chegam perto dos 700 euros nos consumos mais altos.
Num mercado assim, o ganho de mudar apenas a eletricidade é grande o suficiente para tornar irrelevante o desconto adicional de contratar em regime dual.
O prémio da conveniência deixou de compensar o custo de renunciar à melhor oferta isolada de cada produto.
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