Mais vale prevenir: bem governar o risco climático
Nos últimos anos, a adaptação às alterações climáticas deixou de ser uma preocupação exclusivamente ambiental para assumir um lugar central na agenda da estabilidade financeira, da supervisão prudencial e da gestão dos riscos sistémicos.
A sucessão de fenómenos extremos em diferentes regiões da Europa tem vindo a demonstrar que a frequência e a severidade destes eventos colocam desafios crescentes às instituições públicas, às empresas e ao setor segurador.
Da tendência prudencial à evidência concreta Foi neste contexto que a Presidente da EIOPA 1 afirmou recentemente que as alterações climáticas estão a transformar algumas regiões da Europa num verdadeiro desafio para a atividade seguradora.
A afirmação sintetiza uma evolução iniciada há vários anos através da integração dos riscos climáticos no regime de Solvência II, do desenvolvimento dos testes de stress climático e dos trabalhos sobre o protection gap das catástrofes naturais.
Também em Portugal, a divulgação do Relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de 2025 2 , no final de Julho, deve ser lida nesta perspetiva mais ampla.
Elaborado ao abrigo de um mandato legal independente, o relatório não constitui apenas uma avaliação operacional dos incêndios.
Representa igualmente um exercício estruturado de análise institucional destinado a identificar vulnerabilidades, avaliar políticas públicas e formular recomendações para reforçar a capacidade nacional de resposta perante riscos extremos.
Os grandes eventos climáticos deixam assim de ser apenas acontecimentos excecionais.
Tornando-se verdadeiros testes à capacidade das instituições para antecipar, coordenar e aprender.
Análise técnica e expert judgment O Relatório da Comissão Técnica Independente apresenta uma avaliação abrangente da época de incêndios de 2025, baseada na análise de toda a campanha de incêndios rurais, na comparação com o período 2018-2024, no estudo dos maiores incêndios, em audições a entidades públicas, questionários dirigidos a operacionais e população e na análise da documentação técnica disponível.
Em 2025 registaram-se 8.256 incêndios rurais e 271.587 hectares de área ardida, correspondendo à quarta maior área ardida desde que existem registos oficiais, tendo o incêndio do Piódão ultrapassado os 65 mil hectares, o maior incêndio registado em Portugal.
Embora reconheça que as condições meteorológicas contribuíram decisivamente para a severidade da época, a Comissão conclui que estas não explicam, por si só, a dimensão da área ardida, identificando fragilidades estruturais na gestão de combustíveis, na preparação do território, na resposta operacional e na implementação de políticas públicas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.