Meloni tira a Berlusconi recorde do governo mais longo. Mas instabilidade voltará em 2027?
Desde 1946, Itália teve 68 governos.
Mas, nesta sexta-feira, Giorgia Meloni prepara-se para bater o recorde de Silvio Berlusconi do governo mais longevo, ultrapassando os 1412 dias do falecido líder do Força Itália.
Não faltavam, naquele 22 de outubro de 2022 em que a líder dos Irmãos de Itália chegava ao poder à frente do “governo mais à direita em Itália desde a II Guerra Mundial”, títulos catastrofistas na imprensa europeia.
Desde a revista alemã Stern que apelidava a primeira-ministra italiana de “A mulher mais perigosa da Europa” até ao diário francês Le Monde que em editorial garantia que o resultado das legislativas em Itália vinha lançar “uma sombra sobre o projeto europeu”.
E não faltaram mesmo algumas comparações entre a mulher que aos 15 anos se juntou ao Movimento Social Italiano, fundado por antigo apoiantes de Mussolini, e o próprio ditador, como aconteceu num artigo do The Guardian , publicado dias antes das eleições e intitulado “Deus, família, pátria - como Giorgia Meloni levou a extrema-direita italiana à beira do poder”.
Meloni apressou-se a acalmar os receios da comunidade internacional e, logo no seu primeiro Conselho de Ministros, reafirmou estar sólida na UE e na NATO, bem como o apoio de Itália à Ucrânia.
A primeira-ministra não esqueceu também os mercados, preocupados que as suas promessas de cortes nos impostos, aumentos das pensões e redução da idade da reforma aumentassem ainda mais a já enorme dívida italiana; e entrassem em choque com a disciplina orçamental europeia.
Passados quase quatro anos, Meloni não terá escapado totalmente às polémicas - como recentemente quando decidiu impor controlos fronteiriços aos viajantes vindos de Espanha após a entrada de uma vaga de migrantes em Ceuta no final de julho, ou quando fez um acordo com a Albânia para enviar para centros naquele país os migrantes resgatados no Mediterrâneo.
Mas em termos económicos, o seu governo tem mantido um maior controlo sobre o défice e a dívida, enquanto o emprego aumentou, com o executivo a afirmar que mais 1,2 milhões de pessoas entraram no mercado de trabalho e que o desemprego desceu para menos de 6%.
Com os analistas a reconhecer que a primeira-ministra de Itália conseguiu moderar os seus instintos populistas e adotar uma atitude pragmática desde que chegou ao poder, Meloni tornou-se no rosto da estabilidade, também numa Europa onde as grandes potências têm enfrentado uma certa instabilidade política.
França, por exemplo, teve cinco primeiros-ministros desde 2022, quando a líder italiana chegou ao poder, e o Reino Unido vai no quarto (Meloni ainda coincidiu três dias com Liz Truss antes de esta se afastar).
Mas basta olhar para as sondagens para perceber que a era de estabilidade em Itália pode estar a chegar ao fim.
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