“Um pássaro quando pousa nunca deixa de voar”. Eduardo Sá e o acidente que lhe mudou a vida
Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt Eu tinha pressa É fácil, quando se cai porque se desmaia com uma dor, que se recapitule, quase um minuto atrás do outro, por um milhão de vezes seguidas, cada fração de segundo acerca da forma como tudo aconteceu.
O mais desconcertante, no final, é que quanto mais se recapitula menos se percebe.
O que nos leva a assumir que há zonas ocultas ao conhecimento humano que, duma forma revoltante, não se afrontam nem se perscrutam.
Vagueiam por ali.
No meio de nós.
A minha história trágica começou dia 17 de Fevereiro de 2021.
Desta maneira: senti uma dor aguda e percebi que ia desmaiar.
Tinha acordado de um sonho mau.
Estava a chegar à casa de banho, talvez a meio do pesadelo talvez a meio do despertar.
Um desmaio é, habitualmente, um ir perdendo os sentidos, como se eles se fossem apagando, um atrás do outro.
Uma pequena morte, transitória, em que a cabeça começa a latejar e se percebe, devagarinho, que se vai desfalecer.
Ao contrário do pânico, deixamo-nos «morrer».
Apesar disso, movimentei-me em direção à cama para que, ao cair, não me magoasse.
Mas caí.
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