Da acusação do MP à "tranquilidade" de Rui Cristina: O que foi dito?
O Ministério Público (MP) acusou o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, de discriminação e incitação ao ódio e violência. Em causa estão declarações proferidas durante a Assembleia Municipal em novembro de 2025. Posteriormente, o autarca revelou ter recebido a acusação "com tranquilidade". Afinal, o que se sabe? E o que foi dito?
De acordo com uma nota publicada no portal da Procuradoria-Geral Regional de Évora, tudo aconteceu na Assembleia Municipal, realizada no dia 26 de novembro de 2025, quando estava em discussão uma questão relacionada com habitação e terrenos municipais em Albufeira.
Em causa está o facto de Rui Cristina, na qualidade de presidente da Câmara de Albufeira, eleito em outubro de 2025 pelo partido Chega, ter afirmado que, "por sua opção o município não iria gastar dinheiro, no âmbito da habitação, com um determinado grupo de cidadãos locais pertencentes a determinada etnia minoritária" .
De notar que a intervenção de Rui Cristina foi transmitida em direto pelo próprio município através do canal de Youtube da Câmara Municipal e, posteriormente, divulgada nas redes socias do autarca e em grupos associados à sua atividade política.
Segundo a acusação, as declarações colocaram esse grupo em posição secundária face ao restantes cidadãos residentes no concelho na satisfação ds necessidades habitacionais, "justificando tal entendimento com a afirmação de que aquele grupo minoritário não paga impostos" .
Desta forma, o Ministério Público sustenta que o autarca de Albufeira "agiu com o intuito de ofender a honra e consideração" das pessoas pertencentes àquela comunidade étnica , imputando-lhes genericamente uma fuga às responsabilidades fiscais e procurando inferiorizá-las e discriminá-las no acesso à habitação.
A acusação considera ainda que as declarações foram proferidas com o propósito de estimular um sentimento de aversão e ódio contra aquela comunidade.
Rui Cristina afirmou, na segunda-feira, ter recebido com "tranquilidade" a acusação do MP de discriminação e incitamento ao ódio , garantindo mantes as suas convicções sobre o acesso à habitação municipal.
"As minhas declarações foram políticas, não foram contra ninguém e foram num órgão político que é a Assembleia Municipal" , adiantou o autarca à agência Lusa, em reação à acusação. Rui Cristina também publicou uma reação nas redes sociais.
Posteriormente, a Associação de Pessoas para a Inclusão da Etnia Cigana adiantou, em comunicado, estar a ponderar constituir-se assistente na acusação proferida pelo MP contra o presidente da autarquia de Albufeira.
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