A reação de Anne Carson quando soube que venceu o Nobel da Literatura
A nne Carson, escritora que venceu o Nobel da Literatura esta quinta-feira, dia 8 de outubro, teve uma reação de choque quando recebeu a chamada a informar que tinha recebido o prémio. A fotografia do momento foi partilhada nas redes sociais.
"Acabou de chegar. A nova laureada com o prémio Nobel da Literatura mostra-se surpreendida na cozinha de sua casa, em Reiquiavique, na Islândia" , pode ler-se na legenda da publicação.
Na imagem é possível ver que Anne Carson está ao telefone com uma expressão de surpresa enquanto ouve que o Nobel da Literatura 2026 lhe foi atribuído.
"Não tivemos muito tempo, mas ela disse-me que está na Islândia. Ficou muito surpresa, mas muito feliz. Percebi isso na sua voz", revelou, citada pelo site espanhol 20 minutos.
Posteriormente, em entrevista, Anne Carson disse ter sido "muito louco" e contou que quando recebeu a notícia estava a comer bolachas e a beber chá. No entanto, reparou que o chão precisava de ser limpo, levantou-se foi varrer, altura em que começou a tocar o telefone.
A Nobel da Literatura contou ainda que desligou várias chamadas até que o marido lhe disse para devolver a chamada.
"O prémio Nobel de Literatura de 2026 é atribuído à autora canadiana Anne Carson, pela sua obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea", escreveu o organismo, na rede social X (Twitter).
A academia detalhou que, "ao longo de toda a sua obra, Carson explora, com um toque leve, as possibilidades da escrita, um processo através do qual o esboço literário se tornou de particular valor para ela".
"As suas colaborações com artistas visuais e coreógrafos, bem como com encenadores de ópera e teatro, demonstram a liberdade com que se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras. É isto que está na origem da importância notável que a sua obra, desde a década de 1990, tem tido no panorama internacional da arte e da literatura", complementou.
Nascida em 1950, em Toronto, Anne Carson publicou a sua tese de doutoramento em Estudos Clássicos, intitulada "Odi et Amo Ergo Sum", em 1981. Desde então, tem "conciliado a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades", sendo que "quase toda a sua produção literária tem-se centrado na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos significados".
"Ela própria identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra. As suas traduções do grego clássico podem ser consideradas obras independentes por direito próprio", considerou a Real Academia Sueca de Ciências.
O organismo salientou ainda que, através de constelações literárias, a autora afastou-se "da poesia lírica ligada ao 'eu' narrativo e inspirou novas formas de literatura contemporânea".
Entre os livros de Anne Carson publicados em Portugal estão "Águalisa", "Autobiografia do vermelho" e "Eros, amargo e doce: um ensaio".
De recordar que, em 2025, o premiado foi o húngaro Laszlo Krasznahorkai. Desde 2018 que o prémio tem intercalado um homem e uma mulher, tendo sido concedido, em 2024, à sul-coreana Han Kang.
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