Zimbabué planeia reserva de 500 milhões para fazer face ao El Niño
O Zimbábue planeia criar uma reserva de 500 milhões de dólares (cerca de 446 milhões de euros) para limitar o impacto de uma possível seca causada pelo fenómeno meteorológico El Niño.
O secretário permanente do Ministério das Finanças do país, George Guvamatanga, fez este anúncio durante uma sessão informativa virtual realizada esta quarta-feira no âmbito das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) em Banguecoque, noticiaram hoje os meios de comunicação do Zimbabué.
"Temos vindo a comprar cereais, cereais de grão pequeno, milho e trigo aos agricultores locais e esperamos que, até ao final do ano, disponhamos de um fundo total de proteção contra o El Niño de 500 milhões", afirmou Guvamatanga, sublinhando que o Governo prefere comprar aos produtores locais para "apoiar a economia".
"Tal como as coisas estão agora, acreditamos que talvez não seja necessário importar milho para reforçar as reservas estratégicas de cereais", acrescentou.
O secretário precisou que, desses 500 milhões de dólares, 250 são "em dinheiro" e outros 250 serão "em cereais".
"Isto permitir-nos-á começar o ano com o pé direito, mas também prevemos verbas adicionais no orçamento de 2027 para obter mais financiamento com o qual fazer face ao impacto adverso que o fenómeno do El Niño trará consigo", referiu Guvamatanga.
Por seu lado, o ministro da referida pasta, Mthuli Ncube, afirmou que "a economia do Zimbabué está a crescer de forma robusta".
"Mesmo com a ameaça do El Niño, esperamos uma taxa de crescimento de 3,5% [para 2027], o que é ainda mais elevado do que o que registámos em 2024, quando enfrentámos uma crise climática semelhante.
Todos os setores estão a funcionar bem, quer se considere a indústria transformadora, quer a agricultura, a mineração e outros", afirmou Ncube.
Essa previsão de crescimento, no entanto, representa uma redução em relação aos 5% esperados para o Zimbabué em 2026, indicou o FMI em setembro, que atribuiu essa desaceleração aos efeitos do El Niño.
Em 2024-2025, o país já sofreu uma grave seca provocada pelo El Niño, que levou milhões de pessoas à fome e levou o Presidente, Emmerson Mnangagwa, a declarar o estado de catástrofe nacional, medida que também foi adotada pelo Maláui e pela Zâmbia.
O El Niño é uma alteração nas dinâmicas atmosféricas causada pelo aumento da temperatura do oceano Pacífico, cuja intensidade os especialistas preveem que seja muito maior este ano do que em anos anteriores.
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