Dono da Zara fez desconto de 15 milhões ao Estado no negócio da REN
Projeto Nascente.
Foi este o nome de código dado à operação de compra de 14% da REN – Redes Energéticas Nacionais pelo Estado português.
O vendedor foi a Pontegadea Inversiones, a sociedade de investimento detida por uma das pessoas mais ricas do mundo: o galego Amancio Ortega, dono do império da Zara.
Data: 6 de agosto de 2026.
Portugal estava a banhos e longe de imaginar que o Estado iria regressar ao capital da empresa de transporte de eletricidade e de gás depois da saída total em 2012 durante a troika.
Foi nesta data que o vendedor fez uma proposta à Parpública que acabaria por ser aceite.
Andres Moreno Fernandez, responsável de infraestruturas da Pontegadea, escreveu ao presidente da Parpública, Joaquim Cadete, a fazer a proposta que daria forma ao acordo final assinado a 14 de agosto.
“Estaremos prontos para avançar considerando que o preco por ação seja o mais elevado” de: ou o preço médio de ação dos seis meses até ao dia anterior à assinatura do acordo, com um prémio de 15%; ou o pagamento de 4,25 euros por ação, segundo o documento que faz parte do processo de venda arquivado no Tribunal de Contas, consultado pelo Jornal Económico (JE) que ajuda a perceber os bastidores desta operação.
E também deu conta de que estavam dispostos a fazer um desconto face ao pedido inicialmente: “Tenham em conta que a nossa proposta inicial em termos de prémio (entre 17% a 20%) era um pouco mais elevada do que agora propomos”, sem justificar a razão da descida.
No final, o Estado português acabou por pagar um prémio de 15% num total de 390 milhões de euros, a 4,25 euros por ação.
Se o prémio pedido tivesse sido de 20%, o Estado teria de pagar 15,6 milhões de euros face ao que pagou.
Mas o desconto de Amancio Ortega reduziu mesmo a fatura com os 4,25 euros por ação a ser mais elevado (390 milhões) face ao prémio de 15% mais a média dos seis meses ( na casa dos 389 milhões).
O despacho do Governo ditou que o preço a pagar fosse o preço médio da ação nos últimos seis meses, mais um prémio de 15%, estimando o valor nos 4,25 euros por ação, não excedendo os 4,28 euros.
Numa mensagem de correio eletrónico, o gestor espanhol explicou a razão de pedir um preço mínimo.
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