Governador do Banco de Portugal recusa complacência com bons resultados da banca
Duas décadas separam a última grande auditoria do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao sistema financeiro português da que chegou em junho às mãos dos portugueses, e o governador do Banco de Portugal não perdeu tempo a resumir a diferença.
Álvaro Santos Pereira abriu esta terça-feira a conferência que apresenta os resultados do Programa de Avaliação do Setor Financeiro ( FSAP ) com uma afirmação sem margem para dúvidas: o sistema financeiro nacional está hoje “mais resiliente, melhor preparado e mais bem equipado para absorver choques do que estava no passado”.
Entre bancos com posições de capital e liquidez reforçadas, uma crise da dívida soberana e uma pandemia, o sistema financeiro português mudou.
A questão que o próprio governador colocou ao auditório é outra: estará Portugal pronto para os riscos que ainda não conhece? O exercício de testes de esforço realizado no âmbito da avaliação [do FMI] aponta para um sistema capaz de resistir a cenários adversos muito severos.
Álvaro Santos Pereira Governador do Banco de Portugal Segundo o relatório do FMI, os riscos para a estabilidade financeira em Portugal mantêm-se moderados.
No final de setembro de 2025, o rácio CET1 do setor situava-se em 17,7%, enquanto a rendibilidade anualizada dos ativos foi de 1,3% nos primeiros três trimestres do ano.
O Fundo destaca ainda uma eficiência superior à dos pares da área do euro, refletida em rácios de custo/rendimento mais baixos.
Os lucros de 2,5 mil milhões da banca em 5 gráficos Ler Mais Os testes de esforço do FMI mostram que, perante cenários adversos severos que combinam choques de crédito, mercado e taxas de juro, nenhum banco esgota as suas reservas de capital.
Numa análise adicional, assente numa queda extrema de 40% dos preços da habitação em três anos, o setor também se mantém resiliente.
Álvaro Santos Pereira sublinhou precisamente este ponto na sua intervenção, referindo que “o exercício de testes de esforço realizado no âmbito da avaliação [do FMI] aponta para um sistema capaz de resistir a cenários adversos muito severos”, acrescentando que isso “é importante porque mostra que, mesmo em circunstâncias muito difíceis, o nosso setor financeiro, de acordo com o teste de esforço, é muito resiliente”.
Banco de Portugal não quer que a banca baixe a guarda O governador não deixou, contudo, de vincar que os resultados obtidos não podem servir de garantia para o futuro.
“ A estabilidade financeira não é um objetivo que se possa simplesmente declarar e preservar.
É um esforço contínuo”, afirmou, defendendo que a complacência “nunca deve ser uma opção”.
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