Portugal sem linhas vermelhas absolutas mas com reservas sobre novas receitas da UE
Portugal não tem “linhas vermelhas absolutas” relativamente aos novos recursos próprios em debate para financiar o próximo orçamento da União Europeia (UE), mas mantém reservas sobre questões técnicas, diz à Lusa o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.
“Não temos linhas vermelhas absolutas.
Temos reservas em alguns recursos próprios, mas reservas naturais e que, em negociação, poderão até ser mitigadas ou resolvidas”, afirmou o governante, em entrevista à agência Lusa, à margem da reunião informal de ministros dos Assuntos Económicos e Financeiros (Ecofin), em Dublin.
De acordo com o ministro, Portugal “não rejeita nenhum recurso próprio à partida” no Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para 2028-2034.
Em causa está a negociação do próximo orçamento de longo prazo da UE, proposto pela Comissão Europeia em cerca de dois biliões de euros para 2028 a 2034, num debate que fará feito pelos países sobretudo este semestre, com vista a um acordo até final do ano.
Entre as propostas para aumentar as receitas europeias estão novos recursos próprios, como uma parcela do imposto especial sobre o consumo de tabaco, receitas associadas ao comércio de licenças de emissão e ao mecanismo de ajustamento carbónico fronteiriço, uma contribuição sobre resíduos eletrónicos não recolhidos e uma contribuição anual de grandes empresas.
Portugal tem reservas sobre a configuração de alguns destes mecanismos, mas o ministro sublinhou que não existe uma rejeição de princípio: “As reservas que temos não são específicas de um recurso próprio, […] temos sobretudo questões mais técnicas e de pormenor relativamente aos recursos próprios”.
No caso do tabaco, Portugal já manifestou reservas no âmbito da revisão da tributação do setor, estando em discussão a possibilidade de uma parte da receita do imposto especial sobre o consumo reverter para o orçamento comunitário.
Por outro lado, o Governo é “bastante favorável” à tributação das grandes plataformas digitais e à recuperação da discussão sobre um imposto sobre transações financeiras, indicou o responsável à Lusa.
Miranda Sarmento defendeu que a negociação tem de ser ambiciosa e equilibrada, garantindo a manutenção dos apoios à agricultura e à coesão, reforçando a competitividade e mantendo o apoio à Ucrânia.
Para o ministro, o reforço das receitas da UE deve ser acompanhado por outras soluções para responder às necessidades financeiras europeias, incluindo o adiamento do reembolso dos empréstimos contraídos no âmbito do fundo europeu de recuperação criado após a pandemia, que financiou os Planos de Recuperação e Resiliência, e a emissão de dívida conjunta para financiar grandes projetos europeus, como nas áreas da competitividade e defesa.
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