Juros alemães atingem máximo de 15 anos e franceses de 2009
Os juros das obrigações de longo prazo da Zona Euro voltaram a subir esta segunda-feira, com a yield da dívida alemã a 10 anos a atingir máximos de 15 anos e a francesa a alcançar o nível mais elevado desde 2009 , perante receios sobre a inflação e de maior despesa em defesa, numa altura em que a tensão no Médio Oriente não dá tréguas.
Segundo dados da Reuters , a yield do bund alemão a 10 anos chegou aos 3,2158%, máximo desde maio de 2011 , enquanto a das obrigações francesas com a mesma maturidade atingiu 4,0581%, o nível mais elevado desde junho de 2009 .
A yield da dívida francesa a 30 anos chegou aos 4,8617%, máximo desde setembro de 2008.
Trump ameaça bombardear Omã caso “atrapalhe” acordo em Ormuz Ler Mais A subida acontece num contexto de tensão no Médio Oriente, que mantém os preços da energia elevados e aumenta o receio de uma inflação mais persistente.
Os investidores antecipam também um aumento da despesa militar dos governos europeus, o que poderá obrigar a uma maior emissão de dívida e pressionar ainda mais os mercados obrigacionistas.
“O risco de uma nova escalada e de uma interrupção prolongada no comércio do Golfo mantém-se firmemente presente.
À medida que o verão se aproxima do fim, os mercados poderão em breve enfrentar um teste mais difícil para perceber se a resiliência conseguirá sobreviver assim que os apoios temporários desaparecerem”, afirmou Geoffrey Yu, estratega do BNY, citado pela Reuters.
Em França, a trajetória das contas públicas é uma preocupação adicional, com os investidores a anteciparem que a situação orçamental dificilmente irá melhorar antes das eleições presidenciais previstas para a primavera de 2027.
O diferencial entre as yields das obrigações francesas a 10 anos e o bund alemão estava nos 84 pontos base, próximo do nível mais elevado desde outubro de 2025.
A Itália também acompanha a pressão sobre os juros.
A yield a 10 anos subiu para 4%, enquanto a dívida a 30 anos atingiu 4,8254%, máximo desde novembro de 2023 .
Os mercados monetários atribuem agora uma probabilidade superior a 90% a uma subida de juros do Banco Central Europeu (BCE) em setembro, esperando que a taxa de depósito passe dos atuais 2,25% para 2,76% em março de 2027.
O petróleo voltou a subir perante a ausência de progressos diplomáticos para pôr fim ao conflito entre os EUA e o Irão, reforçando os receios de inflação.
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