Montenegro quer 10 anos de poder, Carneiro prepara alternativa. Rentrées dão pontapé de saída para OE2027
Duas rentrées políticas no Algarve, separadas por apenas dois dias, deixaram traçadas as linhas de força do novo ano político.
Luís Montenegro apresentou resultados económicos, anunciou novas medidas e projetou uma década de governação à imagem de Cavaco Silva.
José Luís Carneiro respondeu com uma ofensiva cerrada ao Governo, evocou a maioria de António Guterres e deixou a porta aberta à viabilização do OE2027, mas devolveu a Montenegro toda a responsabilidade pela estabilidade política.
A 14 de agosto, na Festa do Pontal, o primeiro-ministro e presidente do PSD procurou consolidar a imagem de um Governo com obra feita, uma economia a crescer, emprego em máximos e margem para continuar a reduzir impostos e aumentar pensões, ao mesmo tempo que lançou novas promessas para os próximos meses .
A 16 de agosto, em Olhão, o secretário-geral do PS contrapôs com um discurso de forte contestação à governação, apontando falhas na educação, na saúde, na habitação e na resposta do Estado às crises, e apresentando o PS como uma alternativa ainda em construção.
Montenegro admite baixa do IRS e bónus para pensionistas Ler Mais É no Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) que estas duas estratégias se vão encontrar.
Carneiro deixou claro que o PS quer “dar um contributo para a estabilidade” , mas recusou assumir como sua a responsabilidade pela sobrevivência política do Executivo.
“A primeira responsabilidade para a construção da estabilidade política do nosso país é do Governo, que tem de apresentar um Orçamento competente e que sirva os interesses do nosso país” , afirmou.
E fez questão de acrescentar: “Essa é uma responsabilidade do Governo.
Essa não é uma responsabilidade do Partido Socialista.” A mensagem deixa uma porta aberta à viabilização do OE2027, nomeadamente através da abstenção, mas sem qualquer garantia antecipada.
A eventual abstenção poderá ser apresentada como um contributo para a estabilidade, desde que o documento responda às necessidades do país e incorpore algumas das prioridades que os socialistas já começaram a sinalizar.
Do outro lado, Montenegro chega a essa negociação com a força política que pretende retirar dos indicadores económicos e da execução da governação.
O primeiro-ministro quer fazer do crescimento, do emprego, da descida da dívida e da execução dos fundos europeus a prova de que o seu Executivo está a cumprir e merece condições para continuar.
O que está em causa no OE2027 não é assim somente uma negociação parlamentar, mas um confronto entre um primeiro-ministro que quer consolidar o seu poder e um líder socialista que quer construir uma alternativa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.