Crise da água em Almada foi “janela de oportunidade” para resolver diferendos
A 8 de julho, moradores, comerciantes e cidadãos promoveram ação para chamar a atenção para a recorrente falta de abastecimento de água em Almada.
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA A crise no abastecimento de água em Almada foi um sério aviso regional , alerta o presidente dos SMAS, em entrevista.
Para Luís Palma, o cenário abriu uma janela de oportunidade para reforçar a resiliência e resolver diferendos antigos com o vizinho Seixal .
No início de julho, o concelho de Almada, no distrito de Setúbal, viveu momentos difíceis, com a água a não chegar às torneiras em várias localidades, tendo o município decretado a situação de alerta a 08 de julho, o que se manteve até final de agosto.
O problema levou à realização de manifestações de protesto por parte da população, a um pedido de esclarecimentos da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e à intervenção do Governo, com a ministra do Ambiente a visitar o território.
OE2027 “leva” água de Castelo do Bode à margem Sul do Tejo Ler Mais Três meses depois da crise, o presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, Luís Palma, explicou, em declarações à agência Lusa, que a situação está hoje mais tranquila, mas que ainda há muito caminho pela frente.
“Não foi fácil, de facto não foi fácil, mas é nestas alturas que nós provamos aquilo de que somos capazes.
Demos o nosso melhor e continuamos a fazê-lo, e é essa a garantia que as populações têm”, diz Luis Palma , que nas mais recentes eleições concorreu à presidência da Câmara Municipal de Almada, pela CDU (PCP/PEV), e integrou, com um acordo, a governação do concelho, liderado pela socialista Inês de Medeiros.
Apesar de a crise aguda ter sido ultrapassada, Luís Palma defende que “não é tempo de adormecer”.
“Quando chegámos em dezembro de 2025, assim que iniciámos todo um processo de reuniões, de auscultação nos vários departamentos, percebemos que iríamos encontrar dificuldades, mas não nesta escala”, disse Luís Palma, adiantando que o orçamento inicial dos SMAS, em março deste ano, já previa um conjunto de obras, entre as quais dois furos que entraram em funcionamento no final de junho/princípio de julho, necessários para mitigar a situação.
Quando chegámos em dezembro de 2025, assim que iniciámos todo um processo de reuniões, de auscultação nos vários departamentos, percebemos que iríamos encontrar dificuldades, mas não nesta escala.
Contudo, o furo que é considerado determinante é “o famoso CBR2”, localizado no concelho do Seixal, que em 2025 colapsou .
Os dois concelhos estão em negociação para que seja reabilitado, num diferendo que se arrasta desde abril e cuja resolução é apontada para breve.
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