17 anos, 25 mil quilómetros: a jornada real de um peregrino
Há um monge cuja história é quase universalmente conhecida na China.
É essa história que está na origem de Jornada ao Oeste (Xiyouji), uma epopeia fantástica pelo Oriente, que figura entre as grandes obras da literatura clássica chinesa.
O romance narra as aventuras de um monge da Dinastia Tang (por volta do século VII), que viaja para a Índia em busca de escrituras budistas, acompanhado por três discípulos dotados de poderes sobrenaturais, entre eles o Rei Macaco, Sun Wukong.
Em 2024, o videojogo, Black Myth: Wukong, inspirado nesta obra, voltou a despertar o interesse mundial pela célebre personagem.
Hoje, porém, não vamos falar do Rei Macaco, nem da lenda, mas da história real do monge que lhe serviu de inspiração: Xuanzang.
Há mais de 1300 anos, a sua viagem, que não contou com um Rei Macaco, nem com companheiros sobrenaturais, foi uma longa jornada de 17 anos, em que percorreu cerca de 25 mil quilómetros.
Xuanzang foi um monge da Dinastia Tang (618-907).
Aos 13 anos, entrou para a vida monástica e decidiu dedicar-se ao estudo e à divulgação dos ensinamentos de Buda.
Nessa época, o budismo já se encontrava difundido na China há vários séculos, mas existiam numerosas traduções das escrituras budistas e divergências entre diferentes escolas.
Para esclarecer essas questões, Xuanzang decidiu viajar até à Índia, procurar os textos originais em sânscrito e estudar com os mestres budistas locais.
Por volta de 629, devido à tensão nas fronteiras, a Dinastia Tang proibiu os seus súbditos de deixarem o país.
O pedido de Xuanzang foi recusado, mas ele não desistiu.
Com aproximadamente 27 anos, aproveitando a fome e a dispersão dos refugiados nos arredores da capital, Chang’an, partiu secretamente sem autorização oficial.
Seguiu para oeste pela Rota da Seda, atravessando desertos e o planalto do Pamir.
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