Da pobreza à miséria
Era uma vez um país que pagava melhor aos reformados do que aos que trabalhavam.
Muitos já não se recordarão.
Tempos houve em que o montante da pensão de aposentação coincidia com o valor dos últimos salários, mais elevados, por regra, ou por força de remunerações variáveis.
E, a essa vantagem acrescia uma tributação inferior para os rendimentos das pensões.
Isto para não recordar a facilidade com que prestigiadas instituições nacionais reformavam pessoas com 50 anos de idade, e, até, menos.
Alguns dirão que foi um tempo de “vacas gordas”, outros chamar-lhe-ão inconsciência, e outros, ainda, demagogia e eleitoralismo.
Tudo memórias que se perderam num tempo em que tudo ainda era pago em escudos.
Neste Verão, entre galeras e bidons , festas de Verão, jogos de futebol, incertezas estatísticas e polémicas sobre agentes secretos(!!!), somos abalroados por 600 páginas de um relatório sobre pensões.
Relatório que a generalidade dos portugueses, a gozar estival descanso, certamente não leu.
Acontece que tal relatório deve ser tão impressivo que quem tinha a obrigação de o ler e, porventura, de nele se estribar para desenhar algum tipo política pública, prontamente o arquivou, atirando para a próxima década qualquer decisão sobre a matéria.
Ou muito me engano, ou o relatório não era um relatório, antes seria um manifesto.
Que a decisão demore, podemos compreender e, até, aplaudir.
Que a discussão se não faça é irresponsabilidade.
Portugal vive, há décadas, a discutir as antigas pensões degradadas e a procurar razões históricas para tal chaga.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.