Emergência médica: resultados para os doentes têm de estar no centro da avaliação do INEM
O Relatório de Atividade do CODU e Meios de Emergência Médica 2025 mostra um sistema sob elevada pressão.
Em 2025, o INEM atendeu mais de 1,6 milhões de chamadas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes e realizou cerca de 1,44 milhões de acionamentos de meios de emergência.
O relatório identifica constrangimentos que merecem atenção, nomeadamente a pressão sobre os recursos humanos, o défice de Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar face às necessidades operacionais, o recurso significativo a trabalho extraordinário e limitações na operacionalidade de alguns meios.
Estes dados devem ser analisados pelo seu potencial impacto na resposta efetiva prestada aos doentes e não apenas como números de atividade.
“O debate sobre o INEM tem de deixar de estar centrado apenas na organização interna do Instituto.
Essa dimensão é importante, mas o foco principal tem de estar nos doentes.
Um sistema de emergência médica mede-se pela capacidade de prestar uma resposta mais rápida, mais segura e mais eficaz a quem precisa de ajuda e não apenas pelo número de chamadas atendidas ou de meios acionados”, afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.
Portugal deve acompanhar, de forma transparente, os tempos de resposta, os resultados clínicos dos doentes com patologias tempo-dependentes, como o AVC, o enfarte, o trauma grave e a sépsis, e todos os restantes indicadores essenciais da qualidade e segurança da atividade pré-hospitalar.
A Ordem dos Médicos valoriza todos os profissionais que integram o Sistema Integrado de Emergência Médica.
Médicos, enfermeiros, Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, bombeiros e restantes intervenientes desempenham um papel essencial e devem ser ouvidos e envolvidos em qualquer processo de melhoria, mudança e reforma.
A Ordem tem acompanhado as mudanças em curso e a reforma do INEM, considerando que a modernização do Instituto é fundamental para responder aos desafios atuais e futuros da emergência médica.
Qualquer reforma deve reforçar a resposta no terreno, melhorar a articulação entre todos os intervenientes e garantir mais qualidade e segurança para os doentes.
Neste contexto, a Ordem dos Médicos já tem agendada para esta semana uma reunião com o Presidente do INEM, Dr.
Luís Cabral, para analisar os dados disponíveis, acompanhar as medidas em curso, conhecer em concreto as mudanças previstas no âmbito da reforma e contribuir para soluções que reforcem a emergência médica em Portugal.
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