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Conclusão da A1 há 35 anos "encurtou" o país e revolucionou a mobilidade

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Conclusão da A1 há 35 anos "encurtou" o país e revolucionou a mobilidade

A A1 ficou concluída em 13 de setembro de 1991, com a abertura do troço entre Torres Novas e Condeixa-a-Nova, completando a ligação contínua entre Lisboa e o Porto, 30 anos após a abertura do primeiro troço, entre a capital e Vila Franca de Xira.

Em declarações à Lusa, Joaquim Mendes, um dos engenheiros da Brisa responsáveis na altura pela obra, recordou a importância da empreitada para a mobilidade no país.

"Antes das autoestradas a gente demorava um dia praticamente para chegar lá [ao Norte]. Saía de manhã para lá chegar ao fim do dia ou mesmo de véspera. Depois, o país encurtou. Deixou de ter 800 quilómetros de comprimento e passou a ter 300 ou 400", observou.

Hoje com 83 anos e reformado há cerca de duas décadas, Joaquim Mendes sublinhou que, além de Lisboa e Porto, a conclusão da A1 permitiu aproximar e dinamizar cidades como Santarém, Leiria, Coimbra e Aveiro, "contribuindo para uma nova realidade nas deslocações de pessoas e mercadorias".

Sobre a construção deste último troço da A1, entre Torres Novas (distrito de Santarém) e Condeixa-a-Nova (distrito de Coimbra), o engenheiro ressalvou que a concretização "exigiu uma preparação técnica detalhada", devido às diferentes características dos terrenos atravessados.

"Havia zonas de serra com rocha, solos mais estáveis e áreas com argilas que não podiam ser utilizadas na construção por serem sensíveis à água", descreveu.

A empreitada obrigou a "responder a situações imprevistas", incluindo a descoberta de minas e grutas na zona de Fátima (concelho de Ourém) e a criação de passagens ecológicas na serra de Aire e Candeeiros.

"Há sempre alguns imprevistos, algumas situações que nos escapam, quando fazemos as campanhas de sondagens, mas não houve propriamente surpresas de fundo", ressalvou o especialista.

Houve também um grande impacto social e económico junto das populações locais durante as intervenções: "Há milhares de trabalhadores, a ter que almoçar, jantar e dormir, e, portanto, há uma ligação dessas pessoas com a sociedade civil."

Esta obra teve também alguns "episódios caricatos", como a de uma senhora que se chegou a deitar à frente das máquinas para tentar impedir o avanço dos trabalhos.

"Foi uma coisa muito fácil de resolver. Foi dizer à senhora: tenha paciência, mas a gente tem que avançar", relatou Joaquim Mendes, ressalvando que na generalidade existia um bom entendimento entre a população e os trabalhadores da empreitada.

Questionado sobre o dia que assinalou a conclusão dos trabalhos, o engenheiro ressalvou que ficou assinalado com uma cerimónia, "sobretudo política", e um almoço com os trabalhadores da empresa.

A conclusão deste último troço da A1 teve também um "significado particular" para a própria Brisa, que passou de uma fase de reduzida atividade para um período de forte expansão da rede rodoviária.

"Foi o virar de página, de uma fase de crise para uma fase de grande projeção a nível nacional", apontou Joaquim Mendes, lembrando que a empresa passou de cerca de 200 quilómetros de autoestrada para uma rede que, poucos anos depois, já rondava os mil quilómetros.

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