Ação "Pelo Porto, Todos ao Bolhão" marcada por tensão com comerciantes
A ação participativa "Pelo Porto, Todos ao Bolhão" ficou hoje marcada por momentos de tensão quando quem participava no momento organizado pela Associação do Comércio Tradicional Bolha de Água se cruzou com comerciantes representados por outra associação do mercado.
Os momentos mais tensos aconteceram pelas 15h50, quando, tal como estava programado, cerca de 100 participantes na ação formaram um cordão humano para abraçar o Mercado do Bolhão enquanto cantavam "o bolhão é nosso e há de ser".
Na mesma altura, numa das entradas deste espaço no centro do Porto, mais de uma dezenas de comerciantes da Associação GTCMB – Grupo de Trabalho de Comerciantes do Bolhão empunhava cartazes onde se podia ler "A Associação Bolha D'Agua [que convocou a ação] não me representa".
Ao mesmo tempo, gritavam frases como "O Bolhão é de quem trabalha", explicando que havia quem já estivesse a trabalhar desde as 06h00 e acusando alguns participantes de não saberem o que estavam lá a fazer e de não comprarem no mercado.
À Lusa, o comerciante Pedro Fernandes, que tem uma banca de pão e é representado pela GTCMB, explicou que a mobilização do grupo para uma das portas do mercado foi espontânea e que quiseram demonstrar "a força dos comerciantes do mercado" e a sua união.
"Achamos muito positiva [que haja uma ação sobre o Bolhão] quando as causas são devidamente abraçadas e bem justificadas.
Mas, conversámos com um, dois ou três manifestantes e eles não sabiam porque é que estavam ali", argumentou.
Até estes momentos de maior tensão, a ação participativa decorria dentro da normalidade.
Pelas 14:30, vários participantes iam preenchendo 'post-it' para colar em dois painéis com as perguntas "que cidade do Porto queremos?" e "como intervir no fazer cidade no Porto?".
Nas respostas às questões podia ler-se frases como "dar mais força ao movimento associativo", "trabalhar em cooperação", "vir para a rua – poder popular", "queremos casas pata viver" ou até "uma cidade à medida das pessoas que cá vivem".
Dina Ferreira foi uma das pessoas que juntou à ação participativa por considerar que "vale a pena lutar pelo Bolhão, que está a ser completamente desvirtuado, está a ser completamente retirado da sua essência principal, da sua alma, está a ser despojado sua identidade".
Os portuenses, lamentou, estão "a ser escorraçados do Bolhão com a entrada em massa e caótica dos turistas".
Ao seu lado, Maria de Lurdes comentava que sempre que viaja gosta de visitar os mercados das várias cidades.
"E, em todos os locais, encontro o mercado com a personalidade do sítio, enquanto que aquilo que está a acontecer aqui no Bolhão é completamente o contrário, este Bolhão deixou de ter a personalidade do Porto", salientou.
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